Mudanças no trânsito de Goiânia ampliam debate sobre segurança de pedestres e ciclistas
Especialistas apontam que intervenções para melhorar a fluidez dos veículos exigem novos ajustes para garantir mobilidade segura; Prefeitura afirma que segue monitorando os impactos

As recentes alterações viárias implantadas em Goiânia voltaram a colocar em discussão o equilíbrio entre a fluidez do trânsito e a segurança de quem utiliza a cidade a pé ou de bicicleta. Enquanto motoristas relatam melhora na circulação em alguns corredores estratégicos, especialistas em mobilidade urbana, ciclistas e pedestres defendem que parte das intervenções precisa ser aperfeiçoada para reduzir riscos e ampliar a acessibilidade.
Entre as principais mudanças realizadas pela Prefeitura estão a implantação de sistemas binários, conversões à direita livre, reorganização de corredores viários e alterações na infraestrutura destinada aos diferentes modos de deslocamento. Segundo técnicos da área, essas medidas podem reduzir congestionamentos, mas exigem planejamento integrado para preservar a segurança dos usuários mais vulneráveis do trânsito.
Uma das intervenções que concentra maior atenção é o binário implantado entre as avenidas T-10 e T-55, na região do Parque Vaca Brava. A reorganização do fluxo contribuiu para melhorar a circulação de veículos em horários de maior movimento, porém moradores, trabalhadores e ciclistas relatam que as travessias passaram a exigir mais atenção devido ao aumento do fluxo e da velocidade dos automóveis.
Outro ponto citado é a retirada de trechos da ciclofaixa existente na região. Ciclistas afirmam que, sem espaço exclusivo, muitos acabam dividindo a pista com veículos ou utilizando as calçadas, situação que aumenta os conflitos entre diferentes usuários do sistema viário.
Na avaliação do engenheiro de trânsito e professor do Instituto Federal de Goiás (IFG), Marcos Rothen, intervenções que ampliam a capacidade das vias tendem a elevar a velocidade média dos veículos, fator diretamente relacionado ao aumento da gravidade dos acidentes envolvendo pedestres e motociclistas. Segundo o especialista, projetos urbanos devem buscar equilíbrio entre a fluidez do trânsito e a proteção das pessoas que caminham ou utilizam bicicletas como meio de transporte.
O professor Ronny Aliaga, especialista em mobilidade urbana da Universidade Federal de Goiás (UFG), também avalia que as mudanças melhoraram a circulação de veículos, mas considera que ainda existem desafios para tornar a mobilidade ativa mais segura. Entre as sugestões apresentadas estão a revisão dos tempos semafóricos para pedestres, implantação de semáforos sonoros voltados às pessoas com deficiência visual e aprimoramento das condições de travessia em regiões de grande circulação.
Outro tema debatido é a expansão das conversões à direita livre. A medida permite que veículos realizem conversão mesmo durante o sinal vermelho, desde que respeitada a prioridade do pedestre. Na prática, entretanto, moradores relatam dificuldades para atravessar cruzamentos onde o fluxo de veículos permanece constante.
Especialistas ressaltam que esse tipo de solução costuma ser adotado em locais com baixo volume de pedestres e defendem avaliação permanente sobre sua aplicação em áreas com intensa circulação de pessoas, como regiões comerciais, parques e corredores de transporte coletivo.
Além das mudanças na região do Parque Vaca Brava, também são citados como pontos que merecem atenção trechos do Complexo Viário Luiz José Costa, na ligação entre as avenidas Jamel Cecílio e Leopoldo de Bulhões, onde pedestres apontam dificuldades para realizar travessias em segurança devido ao intenso fluxo de veículos.
Outro aspecto observado pelos especialistas foi o aumento do limite de velocidade de 40 km/h para 50 km/h em parte da região central de Goiânia. Segundo os técnicos ouvidos, velocidades mais elevadas podem aumentar a gravidade de acidentes envolvendo pedestres, motivo pelo qual defendem estudos permanentes sobre os impactos da medida.
Em resposta às críticas, o secretário municipal de Engenharia de Trânsito, Tarcísio Abreu, informou que todas as alterações implantadas passam por monitoramento técnico contínuo e poderão receber adaptações sempre que houver necessidade. Segundo a Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET), equipes acompanham diariamente o funcionamento dos novos dispositivos, realizam fiscalizações e desenvolvem campanhas educativas voltadas a motoristas, ciclistas e pedestres.
A administração municipal também informou que pretende ampliar a sinalização em alguns pontos da cidade e estuda novos projetos para expansão da infraestrutura cicloviária, incluindo adequações no entorno do Parque Vaca Brava. De acordo com a SET, o Plano Nova Mobilidade prevê investimentos para fortalecer a integração entre diferentes formas de deslocamento urbano.
O debate evidencia um desafio comum às grandes cidades brasileiras: conciliar o crescimento da frota de veículos com políticas públicas que garantam deslocamentos seguros para todos os usuários do espaço urbano. Especialistas defendem que futuras intervenções continuem sendo avaliadas tecnicamente para equilibrar eficiência viária, acessibilidade e segurança no trânsito.
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