Mabel articula acordo com vereadores para destravar LDO e evitar novo desgaste com a Câmara de Goiânia
Prefeito busca consenso sobre o índice de remanejamento orçamentário antes da prestação de contas e tenta reduzir tensões após uma semana marcada por atritos entre Executivo e Legislativo

O prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), intensificou as articulações políticas para construir um acordo com vereadores em torno do projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2027, principal instrumento que orientará a elaboração do orçamento municipal do próximo exercício. O foco das negociações está na definição do percentual de remanejamento orçamentário autorizado ao Poder Executivo, ponto que se tornou o principal impasse entre o Paço Municipal e a Câmara de Goiânia.
A intenção do prefeito é reunir lideranças da base aliada, secretários municipais e parlamentares antes de comparecer ao Legislativo para a prestação de contas da administração. A estratégia busca não apenas aproximar posições sobre a LDO, mas também avaliar o ambiente político na Casa e evitar novos desgastes em um momento considerado sensível para a relação entre os dois Poderes.
O centro da divergência está na autorização para abertura de créditos suplementares sem necessidade de aprovação específica dos vereadores. A Prefeitura propõe um limite de 30%, argumentando que o percentual oferece flexibilidade administrativa para incorporar recursos provenientes de convênios, financiamentos e operações de crédito que podem ser contratados ao longo do exercício financeiro.
Parte dos parlamentares, no entanto, considera o índice elevado e defende um percentual menor, sustentando que alterações significativas no orçamento devem passar pelo crivo do Legislativo para garantir maior fiscalização sobre a execução financeira da administração municipal.
Nos bastidores, integrantes do Executivo avaliam que o diálogo é fundamental para reduzir a tensão política acumulada durante a última semana. Entre os episódios que provocaram desgaste está o cancelamento da audiência pública destinada à discussão da LDO na Comissão Mista, situação que gerou troca de versões entre vereadores e representantes da Prefeitura. Outro fator que aumentou o clima de insatisfação foi a dificuldade encontrada pelo Executivo para assegurar quórum suficiente à tramitação do projeto que autoriza a contratação de financiamento de R$ 310 milhões junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), destinado à segunda etapa do Programa Urbano Ambiental Macambira Anicuns (Puama II).
Diante desse cenário, o prefeito solicitou o adiamento da prestação de contas que ocorreria inicialmente no início da próxima semana. Segundo a administração municipal, a decisão leva em consideração tanto a prioridade dada à votação do financiamento quanto a necessidade de reorganizar a agenda política para ampliar o diálogo com os vereadores.
A administração sustenta que o percentual de suplementação solicitado não representa ampliação indiscriminada dos poderes do Executivo, mas um mecanismo de gestão orçamentária capaz de permitir maior agilidade na execução de investimentos previstos para infraestrutura, mobilidade urbana, drenagem, habitação e demais projetos estruturantes. O argumento é que recursos provenientes de financiamentos e transferências voluntárias dependem de adequações orçamentárias para serem efetivamente aplicados.
Mesmo diante das divergências, Sandro Mabel demonstrou confiança na construção de um entendimento com a Câmara Municipal. O prefeito ressaltou que sua gestão tem buscado manter diálogo permanente com o Legislativo e afirmou acreditar que os vereadores reconhecerão a necessidade de conferir ao Executivo instrumentos administrativos compatíveis com o volume de investimentos planejados para Goiânia.
A expectativa agora é que as reuniões previstas nos próximos dias permitam reduzir as resistências em torno da proposta, destravar a tramitação da LDO e preservar a relação institucional entre Prefeitura e Câmara, considerada estratégica para o andamento dos principais projetos da administração municipal.


