Goiás registra mais de 5 mil ligações clandestinas de energia em três meses e acende alerta para perdas e riscos na rede elétrica
Fiscalizações da Equatorial Goiás resultam em prisões, apreensões e recuperação de energia desviada; distribuidora aponta impacto financeiro, risco à segurança e sobrecarga no sistema elétrico.

As ações de combate a fraudes e furtos de energia elétrica em Goiás resultaram na identificação de mais de 5,2 mil ligações clandestinas entre janeiro e março de 2026, segundo dados divulgados pela Equatorial Energia, concessionária responsável pela distribuição no estado. As irregularidades foram detectadas em meio a aproximadamente 25 mil inspeções realizadas no período.
As fiscalizações fazem parte das operações de combate às chamadas perdas não técnicas — categoria que inclui furtos de energia, fraudes em medidores e ligações irregulares diretamente na rede de distribuição. De acordo com a concessionária, o volume de ocorrências reforça um problema estrutural que impacta tanto a segurança do sistema elétrico quanto a composição tarifária dos consumidores regulares.
As ações integradas também resultaram em 87 operações com apoio policial e na prisão de 63 pessoas suspeitas de envolvimento direto com furto de energia ou adulteração de equipamentos de medição. Em comparação com o último trimestre de 2025, quando foram registradas 38 operações e 24 autuações, a empresa aponta intensificação das ações de fiscalização e maior eficiência na detecção de irregularidades.
Segundo o gerente de Segurança Empresarial do Grupo Equatorial, Johnathan de Jesus, o objetivo das operações é reduzir perdas operacionais e mitigar riscos associados às intervenções clandestinas na rede elétrica. Ele destaca que as ligações irregulares não apenas geram prejuízos financeiros, mas também comprometem a estabilidade do fornecimento e aumentam a exposição da população a acidentes graves.
Do ponto de vista técnico, o furto de energia altera o equilíbrio de carga da rede de distribuição, podendo provocar sobrecarga em transformadores, oscilações de tensão e falhas no fornecimento. Em situações mais críticas, as conexões improvisadas aumentam o risco de incêndios, curtos-circuitos e choques elétricos, especialmente em áreas com infraestrutura precária ou adensamento urbano irregular.
Além dos impactos operacionais, o furto de energia é enquadrado como crime no artigo 155 do Código Penal Brasileiro, com pena que pode variar de um a quatro anos de reclusão, além de multa. Já a adulteração de medidores com o objetivo de reduzir artificialmente o consumo pode configurar estelionato, previsto no artigo 171 do mesmo código.
A distribuidora informou ainda que, no primeiro trimestre de 2026, foram recuperados cerca de 5,4 GWh de energia desviada. Segundo estimativa da própria concessionária, o volume seria suficiente para abastecer aproximadamente 36 mil residências durante um mês, considerando consumo médio de 150 kWh por unidade consumidora.
Especialistas do setor elétrico apontam que o impacto das perdas não técnicas vai além da questão operacional. Em sistemas regulados, parte dos custos associados ao furto de energia pode ser incorporada ao cálculo tarifário, o que indiretamente pressiona o valor pago pelos consumidores regulares, além de comprometer investimentos em expansão e modernização da rede.
A Equatorial orienta que denúncias de fraudes ou irregularidades podem ser feitas de forma anônima por meio da central de atendimento 0800 062 0196 ou pelos canais oficiais da empresa. A concessionária afirma que as informações recebidas são fundamentais para direcionar as equipes de fiscalização e reduzir o avanço das ligações clandestinas no estado.
Tags: #Goias, #EnergiaEletrica, #EquatorialGoias, #GatosDeEnergia, #FurtoDeEnergia, #FraudeEletrica, #SegurancaEnergetica, #RedeEletrica, #PerdasNaoTecnicas, #ConcessionariaDeEnergia, #Policia, #CrimeContraOrdemEconomica, #CodigoPenal, #Infraestrutura, #DistribuicaoDeEnergia, #ConsumoDeEnergia, #Fiscalizacao, #ChoqueEletrico, #Incendios, #EnergiaBrasil

