Manifestação no Lago das Rosas expõe impasse sobre corte de árvores em obra da Prefeitura de Goiânia
Moradores, ambientalistas e especialistas questionam critérios técnicos adotados pela Amma durante revitalização do parque e cobram maior transparência no processo
A revitalização do Parque Lago das Rosas, um dos espaços públicos mais tradicionais de Goiânia, passou a ser alvo de forte debate ambiental após a retirada de árvores antigas nas proximidades do zoológico. Neste domingo (24), moradores, ambientalistas e especialistas realizaram uma manifestação no Setor Oeste para contestar o corte de espécies consideradas históricas e cobrar mais transparência da Prefeitura de Goiânia e da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma).
O movimento ganhou força após a remoção de três árvores de grande porte, ação que, segundo os manifestantes, ocorreu sem comunicação prévia adequada à comunidade local. Os participantes alegam que os laudos utilizados para justificar as intervenções carecem de detalhamento técnico e não foram amplamente apresentados à população antes do início das supressões vegetais.
A moradora Inês Veiga Jardim, integrante do grupo que acompanha as obras, afirmou que os estudos ambientais apresentados até o momento não esclarecem de forma convincente quais árvores realmente oferecem risco estrutural ou fitossanitário. Segundo ela, a principal reivindicação é que as decisões sejam tomadas com embasamento técnico acessível e participação popular efetiva.
O debate também mobilizou profissionais da área ambiental. O engenheiro agrônomo Marcelo Bueno defendeu uma análise individualizada dos exemplares marcados para retirada. De acordo com ele, muitas árvores poderiam ser preservadas com manejo especializado, incluindo podas técnicas, controle fitossanitário, monitoramento estrutural e utilização de sistemas de estabilização mecânica.
Especialistas destacam que árvores maduras desempenham papel estratégico no equilíbrio ambiental urbano. Além da sombra e redução das ilhas de calor, espécies antigas contribuem para absorção da água da chuva, mitigação de enchentes, redução de ruídos e melhoria da qualidade do ar. A recomposição desses serviços ambientais, segundo técnicos, pode levar décadas mesmo com o plantio de novas mudas.
O episódio também provocou reação dentro da própria administração municipal. O prefeito Sandro Mabel criticou publicamente a condução inicial do processo e afirmou que houve precipitação na execução das remoções, reconhecendo o impacto negativo causado na percepção da população.
Apesar da controvérsia, a Prefeitura mantém o cronograma de revitalização do Parque Lago das Rosas, considerado um dos principais cartões-postais da capital. O projeto prevê modernização da pista de caminhada, instalação de academias ao ar livre, novos espaços de convivência, playgrounds, áreas destinadas a animais de estimação, melhorias na iluminação pública, sinalização, acessibilidade e requalificação de estacionamentos.
Em nota, a Amma informou que as substituições de árvores permanecem temporariamente suspensas até a apresentação de um novo parecer técnico acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). O órgão ambiental afirmou ainda que segue aberto ao diálogo com moradores e especialistas. Caso persistam divergências sobre os critérios adotados, existe a possibilidade de acionamento do Ministério Público para realização de perícia independente.
A discussão reacende um tema recorrente em Goiânia: o equilíbrio entre modernização urbana e preservação ambiental em uma cidade historicamente reconhecida pela arborização e pelos espaços verdes integrados à malha urbana.
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