8 de maio de 2026
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Escala 5×2 avança no varejo e expõe novo embate sobre jornada de trabalho no Brasil

Redes supermercadistas, farmácias e shopping centers relatam redução de rotatividade e maior interesse de trabalhadores, mas alertam para aumento de custos, dificuldades operacionais e impacto sobre pequenos negócios
Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) aponta que uma redução na jornada de trabalho semanal para 40 horas afetaria mais de 90% da força de trabalho (Reprodução / Freepik)

A adoção da escala 5×2 no varejo brasileiro deixou de ser apenas uma discussão trabalhista e passou a integrar a estratégia operacional de grandes empresas do setor. Redes supermercadistas, farmácias e grupos ligados ao comércio vêm testando modelos com dois dias de folga semanais para enfrentar um dos principais gargalos do mercado atual: a escassez de mão de obra e a dificuldade de retenção de funcionários.

Empresas como RD Saúde, Savegnago e Supermercados Pague Menos já avaliam impactos práticos da mudança na jornada, em meio ao avanço das discussões no Congresso Nacional sobre o fim da escala 6×1 e a possível redução da carga horária semanal no país.

Executivos do setor afirmam que o novo modelo tem aumentado o interesse de candidatos por vagas operacionais, especialmente entre trabalhadores mais jovens, além de reduzir índices de faltas, acidentes de trajeto e pedidos de desligamento. A percepção é de que a flexibilidade passou a ser um fator decisivo no mercado de trabalho após a pandemia, com maior valorização do tempo livre, do lazer e da qualidade de vida.

Apesar dos ganhos relatados, o modelo ainda enfrenta forte resistência dentro do próprio setor varejista. O principal entrave é operacional e financeiro. Pequenos e médios estabelecimentos apontam dificuldade para reorganizar escalas sem ampliar equipes ou elevar significativamente os custos trabalhistas.

Entidades empresariais alertam que a implementação ampla da escala 5×2 pode pressionar a folha de pagamento, especialmente em segmentos que dependem de funcionamento contínuo, como supermercados, farmácias e lojas em shopping centers. Em muitos casos, empresas precisam contratar trabalhadores horistas para cobrir folgas e evitar sobrecarga das equipes fixas.

Outro ponto levantado por empresários envolve a ampliação da jornada diária. Para manter o limite constitucional de 44 horas semanais com dois dias de descanso, trabalhadores acabam cumprindo expedientes mais longos, próximos de 8 horas e 48 minutos por dia. Ainda assim, representantes do setor afirmam que muitos funcionários demonstram preferência pelo modelo devido à possibilidade de descanso ampliado.

O debate ganhou força nacional após o avanço, na Câmara dos Deputados, das Propostas de Emenda à Constituição que discutem a redução da jornada semanal de trabalho. Entre os textos em tramitação estão propostas que diminuem a carga horária de 44 para 36 horas semanais e alteram o regime de escalas para formatos mais flexíveis, incluindo quatro dias de trabalho e três de folga.

Dados apresentados por entidades ligadas ao comércio indicam preocupação com os impactos econômicos da mudança. Estudos do setor apontam que a redução da jornada poderia exigir centenas de milhares de novas contratações para compensar a diminuição das horas trabalhadas, além de elevar despesas operacionais em segmentos com baixa margem de lucro.

Representantes de shopping centers e supermercados afirmam que os maiores riscos recaem sobre pequenos comerciantes, que possuem equipes reduzidas e menor capacidade financeira para absorver novas contratações. O temor é que mudanças abruptas provoquem fechamento de postos de trabalho, aumento de preços e retração operacional em parte do varejo.

Por outro lado, especialistas em relações de trabalho avaliam que o avanço da discussão reflete uma transformação estrutural no perfil do trabalhador brasileiro, especialmente após a pandemia. A busca por equilíbrio entre vida pessoal e profissional, segundo o setor, passou a influenciar diretamente decisões de contratação, permanência e produtividade.

Enquanto o Congresso discute possíveis mudanças na legislação trabalhista, empresas seguem testando modelos híbridos e adaptações internas para tentar equilibrar produtividade, competitividade e retenção de talentos em um dos segmentos que mais empregam no país.

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Marcus

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