10 de março de 2026
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Erosão na Marginal Botafogo permanece sem solução e mantém interdição parcial após um mês

Trecho próximo à Rua 21 segue operando em meia pista enquanto prefeitura elabora projeto definitivo para conter avanço do desgaste estrutural no canal do Córrego Botafogo
Cratera aberta entre a pista e o leito do Córrego Botafogo reduz espaço para trânsito de veículos e eleva riscos (Wildes Barbosa / O Popular)

Um processo erosivo registrado na Marginal Botafogo, uma das principais vias expressas de Goiânia, completa cerca de um mês sem solução definitiva e continua impactando o fluxo de veículos na região central da capital. O problema ocorre no trecho entre as pontes da Avenida Universitária e da Rua 21, onde parte da estrutura lateral do canal do Córrego Botafogo sofreu deslocamento após fortes chuvas.

Desde o surgimento do problema, o tráfego no sentido sul–centro permanece parcialmente interditado, com circulação restrita a meia pista. A erosão provocou o comprometimento de uma seção do muro de contenção do canal e deslocamento de placas estruturais utilizadas na canalização do córrego, situação que levou à adoção de medidas emergenciais para preservar a segurança da via.

Equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) chegaram a iniciar uma intervenção emergencial no local, com abertura de vala e colocação de pedras de grande porte para reforço da encosta e contenção do fluxo de água. No entanto, os trabalhos foram interrompidos após a estabilização provisória da área, enquanto a prefeitura desenvolve um projeto técnico considerado mais abrangente para recuperação estrutural do trecho.

Segundo a administração municipal, a complexidade da obra está relacionada à proximidade entre o canal de drenagem e a pista de rolamento. Esse fator exige soluções de engenharia capazes de garantir simultaneamente a estabilidade da estrutura hidráulica, a integridade da via e a segurança do tráfego urbano.

Especialistas em engenharia civil apontam que áreas com alta concentração de drenagem pluvial, como o corredor do Córrego Botafogo, apresentam maior vulnerabilidade a processos erosivos. A vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO), Juliana Matos de Sousa, explica que intervenções nesse tipo de estrutura exigem planejamento rigoroso. Segundo ela, quando a erosão ocorre próxima a vias de grande circulação, as soluções precisam considerar simultaneamente drenagem, estabilidade do solo e impacto no tráfego urbano.

A engenheira ressalta que intervenções mal dimensionadas podem provocar novos deslocamentos do terreno ou comprometer a estrutura da pista. Por essa razão, projetos de contenção costumam incluir reforço de encostas, recuperação do leito do canal e sistemas adicionais de drenagem para dissipar a energia das águas de chuva.

A Marginal Botafogo concentra grande parte do escoamento pluvial da capital, funcionando como um dos principais corredores de drenagem urbana de Goiânia. Nos últimos anos, a via passou a registrar episódios recorrentes de enxurradas e alagamentos durante períodos de chuva intensa, situação que levou o município a discutir soluções estruturais de maior porte para o sistema de drenagem da região.

Entre as medidas adotadas recentemente está a instalação de cancelas automatizadas em pontos de acesso à Marginal Botafogo e à Avenida 87, no Setor Sul. Os equipamentos integram um sistema de monitoramento que utiliza sensores e análise automatizada do nível da água para bloquear preventivamente o acesso de veículos em situações de risco.

O sistema foi acionado pela primeira vez em condição real durante uma chuva intensa, quando as cancelas permaneceram fechadas por cerca de vinte minutos para evitar a circulação de veículos em trecho com possibilidade de alagamento.

Apesar dessas medidas de monitoramento, a solução estrutural definitiva para a Marginal Botafogo ainda depende de um projeto mais amplo em desenvolvimento pela prefeitura. A proposta prevê intervenções de grande porte no sistema de drenagem e na infraestrutura da via, com previsão de execução em etapas e investimento estimado em aproximadamente R$ 120 milhões.

Enquanto a solução definitiva não é implementada, o trecho afetado pela erosão segue operando com restrição de tráfego, mantendo motoristas e autoridades em estado de atenção diante do risco de avanço do desgaste estrutural em períodos de chuva.

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Marcus

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