Erosão na Marginal Botafogo permanece sem solução e mantém interdição parcial após um mês
Trecho próximo à Rua 21 segue operando em meia pista enquanto prefeitura elabora projeto definitivo para conter avanço do desgaste estrutural no canal do Córrego Botafogo
Um processo erosivo registrado na Marginal Botafogo, uma das principais vias expressas de Goiânia, completa cerca de um mês sem solução definitiva e continua impactando o fluxo de veículos na região central da capital. O problema ocorre no trecho entre as pontes da Avenida Universitária e da Rua 21, onde parte da estrutura lateral do canal do Córrego Botafogo sofreu deslocamento após fortes chuvas.
Desde o surgimento do problema, o tráfego no sentido sul–centro permanece parcialmente interditado, com circulação restrita a meia pista. A erosão provocou o comprometimento de uma seção do muro de contenção do canal e deslocamento de placas estruturais utilizadas na canalização do córrego, situação que levou à adoção de medidas emergenciais para preservar a segurança da via.
Equipes da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) chegaram a iniciar uma intervenção emergencial no local, com abertura de vala e colocação de pedras de grande porte para reforço da encosta e contenção do fluxo de água. No entanto, os trabalhos foram interrompidos após a estabilização provisória da área, enquanto a prefeitura desenvolve um projeto técnico considerado mais abrangente para recuperação estrutural do trecho.
Segundo a administração municipal, a complexidade da obra está relacionada à proximidade entre o canal de drenagem e a pista de rolamento. Esse fator exige soluções de engenharia capazes de garantir simultaneamente a estabilidade da estrutura hidráulica, a integridade da via e a segurança do tráfego urbano.
Especialistas em engenharia civil apontam que áreas com alta concentração de drenagem pluvial, como o corredor do Córrego Botafogo, apresentam maior vulnerabilidade a processos erosivos. A vice-presidente do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Goiás (Crea-GO), Juliana Matos de Sousa, explica que intervenções nesse tipo de estrutura exigem planejamento rigoroso. Segundo ela, quando a erosão ocorre próxima a vias de grande circulação, as soluções precisam considerar simultaneamente drenagem, estabilidade do solo e impacto no tráfego urbano.
A engenheira ressalta que intervenções mal dimensionadas podem provocar novos deslocamentos do terreno ou comprometer a estrutura da pista. Por essa razão, projetos de contenção costumam incluir reforço de encostas, recuperação do leito do canal e sistemas adicionais de drenagem para dissipar a energia das águas de chuva.
A Marginal Botafogo concentra grande parte do escoamento pluvial da capital, funcionando como um dos principais corredores de drenagem urbana de Goiânia. Nos últimos anos, a via passou a registrar episódios recorrentes de enxurradas e alagamentos durante períodos de chuva intensa, situação que levou o município a discutir soluções estruturais de maior porte para o sistema de drenagem da região.
Entre as medidas adotadas recentemente está a instalação de cancelas automatizadas em pontos de acesso à Marginal Botafogo e à Avenida 87, no Setor Sul. Os equipamentos integram um sistema de monitoramento que utiliza sensores e análise automatizada do nível da água para bloquear preventivamente o acesso de veículos em situações de risco.
O sistema foi acionado pela primeira vez em condição real durante uma chuva intensa, quando as cancelas permaneceram fechadas por cerca de vinte minutos para evitar a circulação de veículos em trecho com possibilidade de alagamento.
Apesar dessas medidas de monitoramento, a solução estrutural definitiva para a Marginal Botafogo ainda depende de um projeto mais amplo em desenvolvimento pela prefeitura. A proposta prevê intervenções de grande porte no sistema de drenagem e na infraestrutura da via, com previsão de execução em etapas e investimento estimado em aproximadamente R$ 120 milhões.
Enquanto a solução definitiva não é implementada, o trecho afetado pela erosão segue operando com restrição de tráfego, mantendo motoristas e autoridades em estado de atenção diante do risco de avanço do desgaste estrutural em períodos de chuva.
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