Mato alto avança em bairros periféricos e expõe falhas na manutenção urbana, em Goiânia
Moradores relatam prejuízos à mobilidade, risco de acidentes e sensação de insegurança; Companhia de Urbanização de Goiânia afirma manter cronograma de roçagem

A expansão da vegetação em canteiros centrais, áreas públicas e lotes vagos tem provocado queixas recorrentes em bairros da Região Oeste e Noroeste de Goiânia. Nos residenciais Portinari e Tuzimoto, moradores afirmam que o crescimento do mato compromete a visibilidade no trânsito, dificulta a circulação de pedestres e amplia a sensação de insegurança.
Na Avenida Vinicius de Moraes, eixo comercial que atende os dois bairros, comerciantes relatam que o canteiro central permanece com vegetação alta por períodos prolongados. Segundo o empresário Carlos Mendes, proprietário de um lava-jato na via, a falta de roçagem afeta tanto a estética urbana quanto a segurança viária. “O motorista tem dificuldade para enxergar quem cruza a avenida, principalmente motociclistas e ciclistas”, afirma.
Moradores apontam que o problema se estende a ruas internas, como a Avenida LRM-11, no Residencial Portinari. A auxiliar de serviços gerais Dalva Sousa Nascimento relata episódios de colisões leves atribuídas à baixa visibilidade em cruzamentos onde a vegetação encobre parcialmente a sinalização horizontal. Ela também destaca preocupação com a segurança pessoal ao sair de casa nas primeiras horas da manhã para utilizar transporte coletivo. “O mato alto cria pontos de sombra e dificulta a visualização da rua”, diz.
Especialistas em mobilidade urbana observam que a manutenção regular de canteiros e áreas públicas é componente essencial da política de segurança viária. A vegetação excessiva pode reduzir o campo de visão em esquinas, encobrir placas de sinalização e aumentar o risco de atropelamentos, sobretudo em bairros com tráfego misto e circulação intensa de pedestres.
Além do impacto no trânsito, há preocupação sanitária. Durante o período chuvoso, áreas com vegetação densa e resíduos acumulados podem favorecer a proliferação de insetos e animais peçonhentos, segundo orientações técnicas amplamente divulgadas por órgãos de vigilância ambiental.
Em nota, a Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) informou que mantém frentes permanentes de roçagem e que o cronograma contempla canteiros, praças e demais áreas públicas da capital, incluindo pontos nos residenciais Tuzimoto e na região do Mendanha. O órgão esclareceu ainda que a limpeza de lotes particulares é de responsabilidade dos proprietários, cabendo ao município a fiscalização e eventual autuação em caso de descumprimento da legislação.
Moradores, contudo, cobram maior previsibilidade e transparência no calendário de manutenção. A ausência de informação sobre datas previstas para roçagem, segundo eles, dificulta o acompanhamento das demandas e reforça a percepção de abandono.
A situação expõe um desafio recorrente nas grandes cidades: conciliar expansão urbana, manutenção contínua de áreas públicas e fiscalização efetiva de terrenos privados. Enquanto isso, nos bairros afetados, a vegetação segue avançando sobre calçadas e canteiros, transformando uma questão de zeladoria em tema central de segurança e qualidade de vida.
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