Projeto viário no Parque Flamboyant divide secretarias e reacende debate ambiental em Goiânia
Proposta da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana de Goiânia prevê abertura de via sobre área de preservação do córrego Sumidouro

A possibilidade de implantação de uma nova via pública em uma das extremidades do Parque Flamboyant, no Jardim Goiás, abriu divergência técnica dentro da administração municipal de Goiânia. O projeto em estudo pela Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra) propõe a criação de uma ligação viária entre as ruas 46 e 56, com pista dupla, como alternativa para redistribuir o fluxo de veículos que atualmente se concentra na Rua 77 e na Avenida Jamel Cecílio.
A justificativa técnica da Seinfra sustenta que o eixo pretendido funcionaria como rota de retorno para motoristas que seguem no sentido oeste-leste, reduzindo a sobrecarga em vias adjacentes. Hoje, quem acessa o bairro a partir da Rua 77 encontra como alternativa imediata apenas a estreita Rua 56-A — também conhecida como Rua 7 — com pouco mais de 140 metros de extensão e limitada capacidade de circulação.
Ocorre que o traçado proposto tangencia a área de preservação permanente (APP) do córrego Sumidouro, cuja nascente está dentro do próprio parque. O projeto prevê a implantação de aproximadamente 1,3 mil metros quadrados de pavimentação e a supressão de dez árvores, além da travessia sobre trecho canalizado do curso d’água.
Em parecer técnico, a Agência Municipal do Meio Ambiente classificou a proposta como ambientalmente inviável dentro do perímetro implantado do parque. O órgão ressalta que a área verde já sofre forte pressão urbanística decorrente do adensamento residencial e comercial no entorno, marcado por edifícios de grande porte com subsolos escavados e interferência no lençol freático. Segundo a análise, o Sumidouro depende do parque como principal faixa de proteção, já que grande parte das áreas infiltráveis do entorno foi impermeabilizada.
A Amma destaca ainda que intervenções adicionais podem agravar a redução da lâmina d’água no período de estiagem e comprometer o equilíbrio hidrológico do fundo de vale. O órgão defende a manutenção integral da faixa marginal com vegetação nativa em, no mínimo, 30 metros de cada margem, além da recuperação ambiental do trecho canalizado, com eventual descanalização e recomposição vegetal.
A Secretaria Municipal de Planejamento Urbano e Habitação (Seplanh) também se manifestou contrária à abertura de via no interior do parque. Para a pasta, a alternativa tecnicamente mais adequada seria a regularização e ampliação da Rua 56-A, com reorganização fundiária dos lotes adjacentes. A secretaria observa que parte dos imóveis da região não consta como regularizada ou em processo formal de regularização, o que poderia permitir readequações urbanísticas por meio de desapropriações pontuais.
A Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET), ao analisar os impactos de mobilidade, reconheceu que o crescimento populacional no entorno do parque gerou pressão significativa sobre a malha viária. Ainda assim, alinhou-se ao entendimento da Seplanh e da Amma, recomendando priorizar a requalificação da Rua 56-A como solução estrutural para redistribuição do tráfego local.
Criado oficialmente em 2007, durante a gestão do então prefeito Iris Rezende, o Parque Flamboyant consolidou-se como um dos principais espaços públicos de lazer da capital. A área verde surgiu como compensação urbanística vinculada à expansão imobiliária do Jardim Goiás e hoje desempenha papel ambiental relevante na drenagem urbana da região, funcionando como área de amortecimento para o córrego Sumidouro, afluente do Botafogo.
Em nota, a Seinfra informou que os estudos técnicos seguem em andamento e que qualquer decisão dependerá de avaliações complementares envolvendo mobilidade, segurança viária e impacto ambiental. Até o momento, não há deliberação definitiva sobre a execução da obra.
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