União libera emendas de 26 goianos, incluindo ex-parlamentares sem mandato
Pagamentos realizados no início de 2026 contemplam indicações antigas, algumas apresentadas há quase uma década; recursos alcançam áreas como saúde e infraestrutura
O governo federal efetuou, entre 1º de janeiro e 10 de fevereiro de 2026, o pagamento de emendas parlamentares indicadas por 26 representantes de Goiás, incluindo dez ex-parlamentares que atualmente não ocupam cadeiras na Câmara dos Deputados ou no Senado. Os dados constam nos registros oficiais de execução orçamentária da União e evidenciam a natureza plurianual desse tipo de despesa pública.
Entre os repasses está uma emenda individual de R$ 150 mil indicada em 2016 pela então senadora Lúcia Vânia, destinada ao Fundo Municipal de Saúde de Simolândia, município do Leste goiano. Embora a ex-parlamentar não exerça mandato desde 2019, a liberação do recurso ocorre dentro do fluxo regular de empenho, liquidação e pagamento previsto na legislação orçamentária.
Também foram pagos valores vinculados a ex-deputados federais goianos. João Campos (Podemos) teve R$ 1,4 milhão executados; Elias Vaz (PSB), R$ 1,3 milhão; José Mário Schreiner (MDB), R$ 408 mil; Delegado Waldir (União Brasil), R$ 299 mil; Alexandre Baldy (PP), R$ 290 mil; Major Vitor Hugo (PL), R$ 288 mil; Marcos Abrão, R$ 200 mil; Marcos Corrêa (PL), R$ 186 mil; e Lucas Vergílio (MDB), R$ 33 mil.
Especialistas em orçamento público explicam que a liberação de emendas não está condicionada à permanência do autor no mandato. Uma vez aprovadas na Lei Orçamentária Anual e mantidas na programação financeira, elas podem ser executadas anos depois, desde que cumpridos os requisitos técnicos e fiscais. Em muitos casos, atrasos decorrem de pendências documentais, ajustes em planos de trabalho ou contingenciamentos orçamentários.
Parte dos beneficiários hoje exerce funções no Executivo estadual ou municipal. Delegado Waldir preside o Detran-GO; Alexandre Baldy comanda a Agência Goiana de Habitação (Agehab); Marcos Corrêa é prefeito de Anápolis; João Campos ocupa a vice-prefeitura de Aparecida de Goiânia; e Marcos Abrão integra a gestão municipal como secretário. Outros, como Vitor Hugo e Lucas Vergílio, exercem mandato de vereador em Goiânia e são citados nos bastidores políticos como possíveis candidatos às eleições proporcionais de 2026. Elias Vaz atua na Assembleia Legislativa de Goiás, enquanto Schreiner preside a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg).
O pagamento de emendas parlamentares integra o mecanismo constitucional de descentralização de recursos federais, previsto no artigo 166 da Constituição Federal. Nos últimos anos, o modelo passou por mudanças com a ampliação das chamadas emendas impositivas, que obrigam o Executivo a executar parte significativa das indicações feitas por deputados e senadores, respeitados limites fiscais.
A divulgação dos repasses reacende o debate sobre transparência, rastreabilidade e eficiência na aplicação das verbas públicas. Embora o pagamento a ex-parlamentares seja juridicamente regular quando vinculado a emendas aprovadas em exercícios anteriores, especialistas defendem acompanhamento rigoroso da execução final dos recursos pelos entes beneficiados, especialmente nas áreas de saúde e infraestrutura, que concentram grande parte das indicações.
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