Seduc apura desvio de verbas escolares para plataformas de apostas on-line em Goiás
Auditorias internas e denúncias da comunidade escolar revelam ao menos 15 investigações em curso; servidores foram afastados e o Estado recompôs recursos para não prejudicar alunos.

A Secretaria de Estado da Educação de Goiás (Seduc) instaurou uma série de procedimentos administrativos e criminais para apurar o desvio de recursos públicos de escolas da rede estadual, supostamente utilizados por servidores em plataformas de jogos de azar on-line, incluindo aplicativos populares de apostas. As apurações, conduzidas pela Corregedoria Setorial da pasta, alcançam ao menos 15 casos distribuídos por diferentes regiões do Estado, com registros vinculados a coordenadorias regionais como Goiânia, Pires do Rio e Itaberaí, além de outras localidades.
As irregularidades vieram à tona a partir de auditorias internas sistemáticas e de denúncias formalizadas por membros da própria comunidade escolar ao longo dos últimos dois anos. Segundo a Seduc, as investigações apontam que diretores e assessores financeiros teriam se valido de credenciais de acesso às contas das unidades de ensino para desviar valores destinados a reformas, manutenção predial e aquisição de materiais pedagógicos. O dinheiro, conforme as apurações preliminares, teria sido canalizado para apostas em ambientes virtuais.
Diante da gravidade dos indícios, a secretaria determinou o afastamento imediato dos servidores investigados logo no início dos procedimentos, como medida cautelar para preservar provas e impedir novas irregularidades. Os processos seguem sob segredo de Justiça, o que impede a divulgação dos nomes dos envolvidos, das escolas atingidas e do montante total desviado até a conclusão das apurações.
Para evitar prejuízos diretos aos estudantes, o Governo de Goiás realizou a recomposição integral dos recursos subtraídos, garantindo a continuidade de obras, serviços e compras essenciais. Em algumas unidades, interventores administrativos foram designados para assegurar a normalidade da gestão financeira e administrativa enquanto duram as investigações.
Em entrevista à imprensa, a secretária estadual de Educação, Fátima Gavioli, afirmou que os depoimentos colhidos indicam, em parte dos casos, situações de endividamento e possível dependência em jogos de aposta por parte dos servidores investigados. Segundo ela, relatos apontam para financiamentos bancários e dificuldades financeiras anteriores, que teriam agravado o comportamento irregular. A gestora ressaltou, contudo, que tais circunstâncias não atenuam a responsabilidade administrativa e penal dos envolvidos.
Como resposta institucional, a Seduc intensificou ações de formação e capacitação de gestores escolares e assessores financeiros, com foco em governança, ética, controle interno e segurança das informações bancárias. Entre as medidas reforçadas está a orientação expressa para que senhas e acessos financeiros não sejam compartilhados, além da ampliação dos mecanismos de monitoramento eletrônico das contas das escolas.
Em nota oficial, a secretaria informou que atua para coibir irregularidades e fortalecer os sistemas de controle, assegurando a correta aplicação dos recursos públicos. “As apurações seguem rigorosamente os trâmites legais, com o objetivo de esclarecer os fatos, identificar responsabilidades e garantir o direito de defesa”, diz o comunicado, que reforça o compromisso com a transparência e a proteção do interesse público.
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