Seis cursos de medicina em Goiás recebem avaliação insatisfatória e podem ser punidos pelo MEC
Instituições que obtiveram notas 1 e 2 no Enamed 2025 serão supervisionadas, podendo ter redução de vagas e suspensão de programas federais; Conselho de Medicina alerta para impacto da expansão indiscriminada de escolas médicas

Seis instituições de ensino superior de Goiás que oferecem cursos de medicina receberam avaliação negativa no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, indicando deficiências significativas na qualidade do ensino. O resultado coloca os cursos sob supervisão do Ministério da Educação (MEC), com possibilidade de medidas restritivas, incluindo redução de vagas, proibição de novos ingressos e suspensão de participação em programas federais como o Fies.
As instituições com notas consideradas insatisfatórias, divididas entre as faixas 1 e 2, são:
Nota 1:

- Faculdade Zarns – Itumbiara
- Unicerrado – Goiatuba
- Centro Universitário Alfredo Nasser (Unifan) – Aparecida de Goiânia
- Universidade de Rio Verde (UniRV) – Goianésia e Formosa
Nota 2:

- UniRV – Aparecida de Goiânia e Rio Verde
- Faculdade Morgana Potrich (Famp) – Mineiros
- Centro Universitário de Mineiros (Unifimes) – Trindade e Mineiros
O MEC esclarece que cursos com nota 1 podem ter suspenso o ingresso de novos alunos ou redução de vagas, além de restrições ao Fies e outros programas federais. Já cursos com nota 2 podem sofrer redução de vagas ou proibição de aumento, com suspensão do Fies caso o percentual de concluintes proficientes esteja entre 40% e 50%.
O Enamed é a modalidade específica do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) voltada para medicina. Seus resultados subsidiam diagnósticos sobre a formação médica e podem ser utilizados em processos seletivos de residência. Em 2025, 351 cursos participaram da avaliação em todo o país, sendo que 67,1% receberam notas satisfatórias (3 a 5) e 32% obtiveram notas 1 e 2. Nenhum curso goiano alcançou a nota máxima.
O Conselho Regional de Medicina de Goiás (Cremego) destacou que os resultados evidenciam os riscos da abertura indiscriminada de escolas médicas sem estrutura adequada para a formação de profissionais. O órgão reforçou a necessidade de implementação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina (ProfiMed), em tramitação no Congresso Nacional, que avaliaria mais detalhadamente o desempenho acadêmico e prático dos estudantes.
Em nota, a Faculdade Zarns afirmou que ainda não foi oficialmente comunicada sobre o resultado, mas reconheceu o papel do Enamed como instrumento diagnóstico e reafirmou seu compromisso com a melhoria contínua dos processos acadêmicos. As demais instituições citadas não se posicionaram até a última atualização desta reportagem.
O episódio levanta debate sobre a expansão acelerada de cursos de medicina em Goiás e em todo o país, a necessidade de monitoramento rigoroso da qualidade do ensino e o impacto direto na formação de médicos aptos a atuar de forma segura e eficiente na rede de saúde pública e privada.
Nota da Faculdade Zarns:
“Apesar de não ter sido oficialmente comunicada, para a Faculdade Zarns Itumbiara, o Enamed cumpre seu papel como instrumento diagnóstico. Os resultados orientam ações já em andamento, voltadas ao fortalecimento da formação acadêmica e ampliação de estratégias de acompanhamento e desempenho dos estudantes.
A instituição reforça seu compromisso com a evolução permanente dos processos acadêmicos, sustentada por um projeto pedagógico consistente — já reconhecido em outras unidades do Grupo Clariens Educação —, e pela formação de médicos altamente preparados”.
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