23 de janeiro de 2026
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Variações de preços acima de 800% acendem alerta sobre práticas de mercado em supermercados de Goiânia

Levantamento do Procon Goiânia revela discrepâncias severas em produtos hortifrutigranjeiros e reforça necessidade de transparência, fiscalização e consumo informado
Foto: Procon Goiânia

O Procon Goiânia identificou discrepâncias significativas nos preços de itens hortifrutigranjeiros comercializados em nove supermercados da capital, após pesquisa realizada entre 24 e 26 de novembro. O levantamento, concebido para orientar consumidores e monitorar práticas de mercado, revela oscilações que ultrapassam 800% em produtos de consumo diário, evidenciando a amplitude das estratégias comerciais adotadas por redes varejistas e o impacto direto no orçamento familiar.

A maior variação registrada foi a da banana nanica, cujo preço oscilou entre R$ 0,99 e R$ 8,99 o quilo — diferença de 808,08%, tornando-a o símbolo mais expressivo da disparidade encontrada. Em seguida, o limão apareceu com variação de 502,51%, sendo comercializado entre R$ 1,99 e R$ 11,99. A pesquisa também identificou oscilações relevantes no mamão (200,67%, com preços de R$ 2,99 a R$ 8,29) e na banana prata (141,56%, variando de R$ 3,97 a R$ 9,59). A laranja, apesar de menor discrepância, ainda apresentou variação de 103,05%, entre R$ 2,95 e R$ 5,99.

Quando analisados em conjunto, esses cinco itens somam R$ 12,89 nos estabelecimentos mais acessíveis e R$ 44,85 nos mais caros — diferença de R$ 31,96 para o consumidor que optar por preços mais altos.


Oscilações expressivas também entre verduras e legumes

No grupo das verduras, o índice de variação seguiu em patamar elevado. O quiabo, com preços entre R$ 3,69 e R$ 24,90, apresentou discrepância de 574,80%, a maior entre os hortaliços analisados. O tomate comum, item essencial da alimentação brasileira, foi encontrado entre R$ 0,98 e R$ 5,69 — variação de 480,61%. O chuchu (351,76%), a cebola (311,34%) e o jiló (275,69%) completam o cenário de oscilações significativas.

A compra conjunta desses cinco itens pode custar R$ 11,62 nos supermercados mais em conta, enquanto nas lojas com preços superiores chega a R$ 58,56, uma diferença de R$ 46,94.


O que explica tamanha discrepância

Especialistas em formação de preços e representantes do próprio Procon apontam que produtos hortifrutigranjeiros, por serem altamente perecíveis, estão sujeitos a múltiplos fatores que impactam diretamente o valor final. Entre eles:

  • Sazonalidade, que altera a disponibilidade e a qualidade dos itens;
  • Custos logísticos, especialmente em períodos de alta demanda;
  • Armazenamento e conservação, que influenciam tanto a durabilidade quanto o aspecto visual;
  • Tamanho, calibre e tonalidade, que variam entre fornecedores e influenciam a precificação;
  • Estratégias comerciais de cada supermercado, incluindo margens de lucro e políticas de reposição.

A pesquisa destaca ainda que nem todos os produtos foram encontrados em todos os estabelecimentos, o que reforça a necessidade de considerar a oferta real na análise dos preços.


Direitos do consumidor e deveres do fornecedor

Com base no Código de Defesa do Consumidor (Lei nº 8.078/1990), o Procon Goiânia reforça que o fornecedor — incluindo o comerciante — tem responsabilidade direta pela qualidade e segurança dos produtos expostos. Caso o alimento esteja vencido, adulterado, falsificado ou fraudado, o consumidor deve ser ressarcido imediatamente, inclusive com a substituição integral do valor pago.

O órgão também lembra que o comerciante pode responder solidariamente quando houver falta de informações claras, ausência de identificação do fabricante ou condições inadequadas de conservação, práticas que podem configurar irregularidade e gerar penalidades administrativas.


Orientação ao consumidor: pesquisar continua sendo essencial

O Procon Goiânia recomenda que os consumidores adotem a prática de comparar preços entre diferentes estabelecimentos, sobretudo em produtos perecíveis, cuja volatilidade é maior. O órgão mantém periodicidade regular de pesquisas públicas e destaca que, embora os dados reflitam um recorte específico no tempo, servem como referência para comportamentos de consumo mais conscientes.


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Marcus

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