23 de janeiro de 2026
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Corte de até 35% nos plantões acirra crise entre Prefeitura de Goiânia e médicos e acende alerta sobre risco à assistência pública

Novo edital de credenciamento reduz remunerações, impõe termo aditivo obrigatório e provoca reação contundente da categoria, enquanto a gestão defende ajuste financeiro e ampliação do quadro médico.
Plantão médico em Goiânia | Foto: Divulgação

A publicação do novo edital de credenciamento médico da Prefeitura de Goiânia desencadeou um dos embates mais intensos dos últimos anos entre a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e profissionais que atuam na rede pública. A medida reduz entre 15% e 35% os valores pagos pelos plantões, altera imediatamente a remuneração de toda a categoria e tornou obrigatória a assinatura de um termo aditivo para continuidade do trabalho. O impacto, segundo médicos e entidades representativas, é profundo e atinge tanto a estrutura de atendimento quanto a estabilidade das equipes de diversas unidades.

De acordo com o Sindicato dos Médicos de Goiás (SIMEGO), o corte nas tabelas de plantões fragiliza ainda mais uma rede marcada por carência de especialistas, sobrecarga crônica e necessidade de recomposição de equipes. O diretor de Assuntos Políticos do SIMEGO, Eduardo Santana, classificou a decisão como “grave” e afirmou que a prefeitura mexeu “no coração da assistência pública”, ao reduzir a remuneração de profissionais responsáveis por atendimentos de urgência, emergência, UPAs, hospitais e unidades de atenção básica.

A SMS sustenta que o ajuste busca alinhar os valores pagos à realidade de mercado da Região Metropolitana, corrigir distorções acumuladas e permitir expansão significativa do número de profissionais. Segundo a pasta, Goiânia remunerava plantões cerca de 30% acima das tabelas praticadas em capitais comparáveis, o que pressionava o orçamento e dificultava a ampliação do quadro. A expectativa da gestão é ampliar o número de médicos de 730 para mais de 1.800, com economia mensal estimada em R$ 2 milhões — recursos que, afirma a secretaria, serão reinvestidos na rede.

O edital surge em meio a um contexto de forte pressão assistencial. Unidades seguem operando no limite e dependem de equipes experientes para manter fluxos complexos de atendimento. Representantes da categoria alertam que a combinação entre cortes salariais, exigência de aditivo e entrada iminente de grande contingente de recém-formados — em razão das formaturas que ocorrem no período — cria um ambiente propício à substituição de médicos mais qualificados por profissionais sem vivência prática suficiente para unidades de alta demanda.

Para o SIMEGO, o risco central não está apenas na redução remuneratória, mas no impacto direto sobre a qualidade do atendimento. A entidade afirma que, ao desvalorizar plantonistas, a prefeitura compromete a segurança assistencial e amplia a rotatividade em setores essenciais. A mobilização inclui análises técnicas, debates com especialistas, articulação com outras entidades e estudo de medidas judiciais e administrativas para suspender o edital. A possibilidade de paralisação, segundo o sindicato, não está descartada caso não haja diálogo efetivo.

A SMS, por sua vez, afirma que não há retrocesso e que o novo credenciamento reorganiza a rede, aumenta o número de profissionais e torna mais eficiente a aplicação de recursos públicos. A gestão também destaca que parte da defasagem decorre de aumentos promovidos no fim da administração anterior, o que teria ampliado despesas sem planejamento financeiro compatível.

O impasse expõe divergências profundas sobre o modelo de financiamento da saúde municipal, o equilíbrio entre custo e qualidade e a capacidade de atração e retenção de médicos em uma rede que exige alta especialização, especialmente em urgência, pediatria, clínica médica, obstetrícia e terapia intensiva. Enquanto a prefeitura argumenta que o redesenho permitirá ampliar cobertura e capilaridade, a categoria vê a medida como um movimento que fragiliza o sistema.

A crise instalada deve se intensificar nos próximos dias e definirá, na prática, o alcance do novo credenciamento e a sustentabilidade da rede municipal. Sem consenso, a saúde de Goiânia volta ao centro do debate público, com consequências diretas para profissionais e para a população que depende do SUS.

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Marcus

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