24 de janeiro de 2026
EconomiaNotíciasÚltimas

Prefeitura de Goiânia propõe plano de reestruturação da Comurg e admite possibilidade de liquidação em caso de fracasso

Termo de Ajustamento de Gestão enviado ao TCM-GO prevê metas para reversão da dependência financeira da Comurg até 2027 e reestruturação plena até 2028; proposta inclui corte de dívidas, ampliação de contratos e medidas de governança.
Gestão quer que a Comurg participe de licitações para conseguir novos contratos (Wildes Barbosa / O Popular)

Em uma tentativa estratégica de reverter a condição de dependência financeira da Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) perante o município, a gestão do prefeito Sandro Mabel (União Brasil) apresentou ao Tribunal de Contas dos Municípios de Goiás (TCM-GO) uma proposta de Termo de Ajustamento de Gestão (TAG) que prevê, no prazo de dois anos, a recuperação econômica, administrativa e operacional da estatal. O documento, entregue no último dia 4, também reconhece a possibilidade de liquidação da companhia caso o cronograma de recuperação fracasse.

O plano, que ainda aguarda análise do relator Valcenôr Braz e manifestação técnica do tribunal, estabelece como meta central a reversão do status de dependência da Comurg até julho de 2027, com reestruturação total até o final de 2028. Entre as ações previstas estão renegociação de dívidas, captação de novos contratos com entes públicos, redução de custos operacionais, e adequações contábeis e fiscais que permitam a reintegração da empresa ao conjunto de dados consolidados da Prefeitura.

“Trata-se de uma proposta de recuperação com metas claras, indicadores objetivos e previsão de consequências caso não se obtenham os resultados esperados”, afirma um técnico que acompanha o processo. “A inclusão de um cenário de liquidação não significa intenção imediata, mas obediência a uma análise de risco fiscal completa.”

Cenário fiscal e endividamento

O principal entrave à sustentabilidade da Comurg está no passivo acumulado ao longo das últimas gestões. Em julho, o jornal O Popular revelou que a companhia protocolou junto à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN) pedido de transação tributária para renegociar uma dívida ativa superior a R$ 1,73 bilhão. A PGFN já sinalizou uma contraproposta de parcelamento em 120 meses, com entrada de R$ 2,2 milhões e quitação de R$ 232 milhões — o que representa um perdão de aproximadamente 87% do total devido.

De acordo com fontes ligadas à negociação, os débitos previdenciários — na ordem de R$ 66 milhões — deverão ser pagos em até 60 parcelas, enquanto os valores restantes, cerca de R$ 166 milhões, seguirão o cronograma ampliado de dez anos, com variações de valores conforme a capacidade de pagamento da companhia.

A obtenção da Certidão Negativa de Débitos (CND), exigida para celebração de novos contratos com o poder público, depende da conclusão dessa negociação. O TAG projeta, a partir de janeiro de 2026, a regularização documental da Comurg para que a estatal possa prestar serviços a órgãos estaduais e municipais vizinhos, com a ampliação da receita como eixo de viabilidade econômica.

Estrutura e metas de recuperação

O cronograma apresentado no TAG inclui nove ações estruturantes, como:

  • Redução da folha de pagamento;
  • Corte de cargos comissionados e funções gratificadas;
  • Revisão de acordos coletivos;
  • Regularização tributária e fiscal;
  • Implantação de uma unidade comercial dedicada à captação de novos clientes;
  • Criação de central de monitoramento operacional até maio de 2026.

Em paralelo, está em andamento um plano de reestruturação anunciado em fevereiro, com previsão de aporte de R$ 190 milhões ao longo de 2025, oriundos do município, para assegurar a manutenção da prestação de serviços essenciais enquanto o plano de saneamento financeiro é implementado.

Outra medida de destaque é a tentativa de formalizar um novo instrumento jurídico de ressarcimento, que detalhe e remunere adequadamente os serviços prestados pela Comurg à própria Prefeitura — algo que, até o momento, vinha sendo feito sem contraprestação definida nos relatórios fiscais do Executivo.

Impasses com o TCM e transparência fiscal

A proposta de TAG é também uma resposta à condenação formal da Comurg como empresa dependente do município, acórdão definitivo emitido pelo TCM-GO em outubro de 2023. A decisão obriga a gestão a incluir as informações contábeis e de pessoal da companhia nos Relatórios Resumidos da Execução Orçamentária (RREO) e nos Relatórios de Gestão Fiscal (RGF) da Prefeitura.

No entanto, a atual administração alega que ajustes técnicos e legais ainda são necessários para cumprir integralmente a determinação. O TAG sugere uma inclusão gradativa das informações fiscais da Comurg, com base na adaptação dos sistemas internos de controle e na complexidade da reestruturação em curso. Ainda assim, a prestação de contas da estatal segue pendente — o que representa, segundo o conselheiro Valcenôr, uma violação que precisa ser sanada antes de qualquer reconsideração sobre a autonomia da companhia.

“A prioridade, neste momento, deve ser o cumprimento integral do acórdão do tribunal. A reabertura do debate sobre a independência da Comurg só deve ocorrer após o atendimento das exigências já impostas”, afirmou o conselheiro à reportagem.

Cenário de liquidação: risco calculado, não iminente

O anexo do TAG que trata da análise de risco fiscal menciona expressamente a eventualidade de liquidação da Comurg caso as metas do plano não sejam atingidas dentro do prazo estipulado. Segundo o cronograma, o planejamento para desmobilização da companhia começaria em julho de 2027, com execução prevista para dezembro do mesmo ano — caso os indicadores econômicos e operacionais demonstrem inviabilidade de continuidade.

Embora esse cenário tenha gerado apreensão entre servidores e conselheiros municipais, interlocutores do Paço garantem que a liquidação não está em avaliação concreta no momento, e que o dispositivo existe apenas como exigência de responsabilidade fiscal, para contemplar todos os desdobramentos possíveis da gestão de uma empresa pública em crise estrutural.

Até o momento, a direção da Comurg optou por não se pronunciar oficialmente, sob argumento de que o processo ainda está em fase preliminar e depende de análise formal do TCM-GO e do Ministério Público de Contas.


Tags: #Comurg #Goiânia #TAG #ReestruturaçãoFiscal #SaneamentoFinanceiro #TCMGO #SandroMabel #DívidaPública #EmpresaEstatal #AdministraçãoPública #GovernançaMunicipal #LiquidaçãoEmpresaPública

Marcus

Sobre nós Somos o portal de notícias referência em Goiás, dedicados exclusivamente a trazer as últimas informações e os fatos mais relevantes que impactam o nosso estado. Com uma equipe comprometida e apaixonada por Goiás, estamos sempre na linha de frente, capturando cada detalhe das ocorrências, eventos e novidades que fazem a diferença na vida dos goianos. Nosso compromisso é levar até você notícias com precisão, agilidade e responsabilidade, seja nas coberturas de última hora ou nas reportagens mais aprofundadas. Valorizamos o jornalismo ético e transparente, e nosso objetivo é manter você bem informado sobre tudo o que acontece em Goiás, de norte a sul. Conecte-se Conosco Para ficar sempre por dentro das nossas atualizações, siga-nos nas redes sociais e acompanhe o nosso conteúdo em tempo real. Basta clicar nos links abaixo e se juntar à nossa Rede: TikTok: https://tiktok.com/goianiaurgenteoficial Instagram: https://www.instagram.com/goianiaurgenteoficial Youtube: https://www.youtube.com/@goianiaurgente