Polícia Civil apreende mais de 8 mil sachês ilegais de nicotina em Goiânia avaliados em R$ 1,3 milhão
Operação no Setor Central desmantela comércio clandestino de Snus, produto derivado do tabaco com alto poder de dependência e proibido pela Anvisa. Empresária é presa em flagrante, mas liberada após fiança.

Uma operação da Polícia Civil de Goiás realizada na manhã desta quinta-feira (31/7) desarticulou um esquema de comercialização ilegal de produtos derivados do tabaco no Setor Central da capital. Em ação coordenada com a Vigilância Sanitária, os agentes apreenderam mais de 8 mil sachês de nicotina, conhecidos como Snus, que estavam sendo comercializados em estabelecimentos comerciais da região. Estima-se que o valor de mercado das mercadorias supere R$ 1,3 milhão.
As diligências cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em pontos estratégicos de revenda, onde foram localizados estoques expressivos do produto — cuja comercialização, distribuição e importação são proibidas no Brasil pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Uma das sócias de uma das empresas foi presa em flagrante, mas acabou liberada após pagamento de fiança.
Segundo a Polícia Civil, as empresas foram autuadas por crime contra a saúde pública, tipificado no artigo 278 do Código Penal, que trata da venda de substância nociva à saúde sem autorização legal, ainda que o produto não seja destinado ao consumo direto ou uso medicinal.
O que é o Snus?
De origem escandinava, o Snus é um produto à base de tabaco em pó umedecido, acondicionado em pequenos sachês semelhantes a saquinhos de chá, que são colocados entre a gengiva e o lábio superior. Diferentemente do cigarro, seu uso não envolve combustão, mas a absorção oral da nicotina, o que o torna altamente viciante.
Apesar de legalizado em países como a Suécia e Noruega, o produto é proibido no Brasil desde 2009 por não atender aos critérios sanitários estabelecidos pela Anvisa. Não há estudos conclusivos que comprovem segurança no consumo, e sua popularização preocupa autoridades de saúde.
Riscos e impacto à saúde
De acordo com a Anvisa e especialistas da área médica, o Snus contém níveis elevados de nicotina, sendo capaz de induzir dependência em pouco tempo de uso. Além disso, estudos internacionais apontam correlações entre seu consumo e o aumento da incidência de câncer de pâncreas, doenças cardiovasculares e lesões bucais crônicas.
“A falsa impressão de que o produto é menos nocivo por não gerar fumaça tem sido usada como estratégia de marketing por vendedores clandestinos. Mas o potencial de dano é elevado”, afirmou um técnico da Vigilância Sanitária.
A operação evidencia um movimento crescente de importação irregular de produtos à base de tabaco, impulsionado pela demanda entre jovens e usuários de cigarros eletrônicos — outra categoria também proibida no Brasil. A Polícia Civil informou que as investigações continuam, com foco na cadeia de fornecimento e importadores clandestinos. Novas ações de fiscalização estão previstas para os próximos meses.
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