TCE-GO investiga denúncia de superlotação no HUGO e aponta discrepância entre indicadores de ocupação
Durante inspeção técnica, auditores encontraram sobrecarga de pacientes apesar de dados oficiais indicarem vagas disponíveis; relatório final do tribunal deve sugerir medidas corretivas

O Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO), por meio de sua divisão de Fiscalização da Saúde, realizou inspeção no Hospital de Urgências de Goiás Dr. Valdemiro Cruz (HUGO) com o objetivo de averiguar denúncias de superlotação na unidade. A visita técnica, realizada nesta segunda-feira (06/10), incluiu inspeção das alas médicas, coleta de dados operacionais e confronto de indicadores oficiais.
A comitiva foi recebida pela diretora-geral da unidade, Fabiana Rolla, e percorreu setores de internação e observação, onde verificou a situação prática do fluxo de pacientes, taxas de ocupação, nível de lotação das enfermarias e registros de encaminhamentos diante da indisponibilidade de leitos.
Durante a vistoria, os auditores do TCE identificaram discrepâncias entre dois modelos de cálculo de ocupação: o índice adotado pelo Complexo Regulador Estadual, que considera leitos instalados, e o utilizado internamente pelo hospital — denominado taxa operacional — que evidencia maior pressão sobre os leitos disponíveis. Essa diferença sugere que, na prática, a unidade está operando além de sua capacidade efetiva, ainda que o indicador oficial não registre saturação.
De acordo com a equipe do Tribunal, o fato de o hospital continuar recebendo pacientes mesmo diante da escassez aparente de vagas revela falha no sistema de regulação de fluxo e queixas de encaminhamentos indevidos.
O TCE-GO exigiu o envio de documentos complementares da administração do HUGO e da Sociedade Beneficente Albert Einstein, que assumiu a gestão, operação e execução dos serviços de saúde da unidade a partir de 2024, conforme o Termo de Colaboração nº 54/2024 firmado com a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO).
Nos próximos dias, esses dados serão consolidados em um relatório preliminar que apontará irregularidades, apontamentos técnicos e sugestões de correção. O relatório final poderá incluir recomendações à SES-GO e ao hospital para reorganização da rede hospitalar, regulação de leitos, melhoria na coleta de dados e ajustes contratuais à OS gestora.
Fontes oficiais confirmam que o TCE-GO já vinha investigando gestões anteriores do HUGO, com decisões anteriores que resultaram em penalidades e determinação de ajuste de gestão.
A estatal do Tribunal informa que o relatório final ainda não possui data definida para divulgação e que as unidades hospitalares estaduais terão prazo para responder às demandas levantadas.
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