Roberto Naves assume Goiás Turismo com missão política e prazo curto: ex-prefeito de Anápolis reforça base de Caiado
Ex-prefeito de Anápolis e presidente do Republicanos em Goiás, Naves entra no comando da Goiás Turismo em substituição a Fabrício Amaral, com metas políticas e técnicas até abril de 2026, quando deverá deixar o cargo para disputar vaga na Câmara Federal.

Goiânia (GO) – O ex-prefeito de Anápolis, Roberto Naves (Republicanos), foi nomeado nesta terça-feira (27) como o novo presidente da Agência Estadual de Turismo (Goiás Turismo). A nomeação, oficializada por decreto do governador Ronaldo Caiado (UB), marca mais uma movimentação estratégica na recomposição do governo estadual com vistas às eleições de 2026 e à ampliação da base aliada no Legislativo.
Roberto Naves substitui Fabrício Amaral, que ocupava o posto desde janeiro de 2019. Sua saída, registrada como “a pedido”, ocorreu em meio a rumores de desgaste com setores do governo, principalmente com o secretário da Retomada, César Moura, segundo apuração do Jornal Opção e da RBC Notícias.
O novo presidente da autarquia chega ao cargo com um cronograma definido: tem até abril de 2026 para desincompatibilizar-se e disputar uma vaga na Câmara dos Deputados, como parte da estratégia de crescimento do Republicanos em nível federal. O partido, do qual Naves é presidente estadual, é considerado peça-chave no xadrez político que envolve o possível apoio a um sucessor de Caiado ou a uma composição nacional.
Nome técnico ou político?
Embora com formação acadêmica e experiência executiva, a chegada de Roberto Naves à Goiás Turismo não ocorre sob a lógica técnica da política pública para o turismo. A escolha tem cunho eminentemente político, marcada pela necessidade de acomodar ex-prefeitos fiéis à base caiadista. Naves junta-se a Adib Elias (Infraestrutura), Carlão da Fox (Ceasa) e Pábio Mossoró (Secretaria do Entorno) – todos ex-prefeitos agraciados com cargos estratégicos.
O ex-prefeito anapolino terá agora o desafio de dar continuidade às ações de promoção do turismo goiano – especialmente o projeto “Vem pra Goiás” e o fortalecimento da imagem do estado nos polos religiosos, de aventura e ecológicos, como Chapada dos Veadeiros, Caldas Novas, Rio Quente e Pirenópolis.
Uma missão com tempo contado
Apesar do prestígio político, o tempo de Roberto Naves na presidência será curto. Por determinação da legislação eleitoral, ele precisará se desligar do cargo em abril de 2026, caso confirme a candidatura a deputado federal.
Fontes do governo ouvidas pela Agência Brasil Central destacam que o perfil de gestor de Naves pode dar um impulso às ações da Goiás Turismo, mas alertam para o risco de que a transição precoce, já esperada, afete a continuidade das políticas públicas em andamento.
“Ele é um gestor articulado, sabe abrir portas em Brasília e é bem relacionado com prefeitos do interior. Mas o tempo é muito curto para grandes mudanças. A tendência é mais manutenção do que revolução”, afirmou um servidor da área de turismo sob reserva.
O legado de Fabrício Amaral
A saída de Fabrício Amaral, que acumulou quase sete anos à frente da Goiás Turismo, encerra um ciclo marcado por forte presença institucional da agência em feiras nacionais e internacionais, além da ampliação de rotas turísticas no estado.
Entretanto, segundo bastidores políticos, Amaral vinha enfrentando desgaste com setores internos do governo. A nomeação para uma assessoria especial, conforme anunciado por aliados, pode ser uma solução conciliatória que evita maior atrito com o grupo político de origem do ex-presidente.
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