Rio Vermelho transborda após chuvas persistentes e eleva nível de alerta na Cidade de Goiás
Acúmulo de precipitações fez o rio atingir a altura da Ponte da Lapa, provocou alagamentos pontuais e mobilizou Corpo de Bombeiros; Santa Casa entrou em protocolo preventivo
O Rio Vermelho transbordou na Cidade de Goiás após um período de chuvas contínuas e acumuladas, elevando o nível de atenção das autoridades e da população, especialmente no entorno do Centro Histórico. Registros visuais realizados pelo professor Glauco Gonçalves, da Universidade Federal de Goiás (UFG), indicam que a lâmina d’água alcançou a Ponte da Lapa, área sensível do ponto de vista urbano e patrimonial, às margens da antiga residência da poetisa Cora Coralina.
As imagens evidenciam não apenas a elevação do nível do rio, mas também a intensidade da correnteza, fator que levou à adoção de medidas preventivas. De acordo com o professor, não houve um evento isolado de chuva extrema, mas sim um acúmulo progressivo de precipitações ao longo das últimas 24 horas, iniciado ainda na noite anterior, o que contribuiu para a rápida resposta hidrológica da bacia.
Dados do Centro de Informações Hidrológicas e Meteorológicas de Goiás (Cimehgo), vinculado à Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), apontam 115,6 milímetros de chuva registrados em trecho do curso do rio, índice considerado elevado para a região e suficiente para provocar transbordamentos localizados.
Diante do avanço da água, o Corpo de Bombeiros realizou o bloqueio temporário da ponte de acesso à Santa Casa de Misericórdia, instituição bicentenária e referência regional em atendimento hospitalar, situada às margens do rio. A medida visou preservar a segurança de pacientes, profissionais de saúde e moradores. Houve também alagamento pontual na Rua da Prefeitura, sem registro oficial de desabrigados.
No período da tarde, por volta das 16h, o nível do rio apresentou estabilização, permitindo a liberação da ponte e a retomada gradual da circulação. Ainda assim, o episódio reacendeu a preocupação histórica da população com cheias na área central da cidade, onde a relação entre o traçado urbano, o relevo e o curso do rio amplia a vulnerabilidade a eventos hidrológicos extremos.
Especialistas destacam que o Centro Histórico da Cidade de Goiás, reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco, possui um histórico sensível a enchentes. O episódio mais marcante ocorreu no início dos anos 2000, período que coincidiu com o processo de tombamento internacional, quando uma grande cheia resultou em danos simbólicos e estruturais, tornando-se referência na memória coletiva local.
As autoridades municipais seguem monitorando o comportamento do rio e mantêm os protocolos de atenção, sobretudo diante da previsão de continuidade do período chuvoso, reforçando a necessidade de vigilância constante em áreas ribeirinhas e de preservação histórica.
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