Remoção de mogno histórico de mais de 30 metros mobiliza operação técnica no centro de Goiânia
Árvore plantada na década de 1950 apresentava risco estrutural segundo laudos da UFG e da Amma; ação envolve guindastes, isolamento viário e plano de compensação ambiental com espécies do Cerrado.
Uma operação complexa de manejo arbóreo mobilizou dezenas de profissionais no centro de Goiânia para retirar um mogno de grandes proporções localizado em frente à Casa da Memória de Goiânia, na Rua 20. Com mais de 30 metros de altura e plantada no final da década de 1950, a árvore se tornou um marco paisagístico da região, mas avaliações técnicas recentes apontaram comprometimento estrutural que passou a representar risco para pedestres, veículos e edificações próximas.
O trabalho é coordenado pela Companhia de Urbanização de Goiânia (Comurg) e envolve cerca de 50 profissionais especializados em arborização urbana, poda técnica e operação de equipamentos de grande porte. A remoção foi planejada para ocorrer em etapas, utilizando guindastes e técnicas de desmonte controlado para evitar danos ao entorno.
A decisão de retirar a árvore foi fundamentada em estudos elaborados por especialistas da Universidade Federal de Goiás e confirmados por análises da Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma). Os relatórios identificaram sinais progressivos de deterioração estrutural, incluindo inclinação acentuada, cavidades no tronco, presença de galhos secos e perda significativa de resistência da madeira.
De acordo com os pareceres técnicos produzidos pela Escola de Agronomia da universidade, o comprometimento interno da árvore reduziu sua capacidade de sustentação, ampliando a probabilidade de queda, sobretudo em períodos de ventos fortes ou chuvas intensas. A remoção foi indicada como medida preventiva para evitar acidentes em uma área de grande circulação no centro da capital.
A operação exigiu a adoção de medidas logísticas e de segurança no entorno. A Secretaria Municipal de Engenharia de Tráfego de Goiânia promoveu a interdição temporária da Rua 20 para garantir espaço seguro de trabalho às equipes. Durante o bloqueio, o fluxo de veículos foi redirecionado para vias próximas, incluindo a Rua 14, enquanto o acesso local foi mantido para moradores.
A proximidade da árvore com estruturas públicas e redes de energia também demandou articulação institucional. A concessionária Equatorial Goiás realizou ajustes preventivos na rede elétrica da região para evitar interferências durante o uso de equipamentos de grande altura.
O processo de remoção também contou com apoio logístico do núcleo administrativo da Justiça Federal, responsável pelo imóvel onde funciona a Casa da Memória, que disponibilizou guindastes utilizados no desmonte gradual da árvore. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional também foi comunicado, uma vez que o edifício está situado em área reconhecida por seu valor histórico.
Além da relevância paisagística, o mogno possui valor simbólico para a história local. A muda original foi doada por Boleslaw Daroszewski, imigrante polonês que se estabeleceu em Goiânia durante os primeiros anos de consolidação da capital e participou do processo de ocupação urbana da região central.
Parte da madeira será destinada à Universidade Federal de Goiás para fins institucionais e acadêmicos, enquanto outro segmento do tronco será encaminhado à Justiça Federal. A família do imigrante solicitou a preservação de um fragmento do tronco como registro histórico, pedido que foi autorizado pela companhia responsável pela operação.
O restante do material será avaliado pela marcenaria da Companhia de Urbanização de Goiânia para eventual produção de mobiliário urbano. Outra parte poderá ser triturada e utilizada como insumo em compostagem destinada à manutenção de jardins, praças e canteiros da cidade.
Como compensação ambiental pela retirada da árvore, a prefeitura anunciou o plantio de 50 mudas de espécies nativas do Cerrado em diferentes regiões da capital. A seleção das espécies e dos locais de plantio será conduzida pela Agência Municipal do Meio Ambiente, que deverá priorizar áreas urbanas com déficit de arborização.
Especialistas em arborização urbana destacam que árvores de grande porte podem atingir longevidade elevada, mas exigem monitoramento contínuo ao longo das décadas. Em ambientes urbanos densos, fatores como compactação do solo, intervenções na infraestrutura e eventos climáticos extremos podem acelerar processos de degradação estrutural.
Nesse contexto, a retirada controlada de exemplares comprometidos passa a ser considerada uma medida de gestão de risco, sobretudo em áreas centrais com alto fluxo de pessoas e proximidade de edificações históricas.
Tags: #Goiânia #ArborizaçãoUrbana #MeioAmbiente #PatrimônioHistórico #Cerrado #Comurg #UFG #GestãoAmbiental

