Prefeitura desocupa entorno do Terminal Padre Pelágio e reforça discurso de ordem urbana, segurança e acessibilidade
Gestão municipal afirma que retirada de ambulantes foi precedida por notificações e oferta de alternativas; medida reacende debate sobre uso do espaço público e inclusão econômica
A desocupação do entorno do Terminal Padre Pelágio, em Goiânia, insere-se em uma política mais ampla de ordenamento urbano adotada pela administração municipal, que tem como eixo central a requalificação de áreas públicas com foco em mobilidade, segurança e acessibilidade. A ação, conduzida por equipes de fiscalização, resultou na retirada de ambulantes que ocupavam irregularmente calçadas e acessos ao terminal, ponto estratégico do sistema de transporte coletivo da capital.
Segundo o secretário municipal de Eficiência, Fernando Peternella, a medida foi motivada por riscos concretos à circulação de pedestres. Estruturas improvisadas, como bancas e barracas, teriam comprometido o fluxo nas calçadas, forçando usuários — especialmente idosos, pessoas com deficiência e responsáveis com carrinhos de bebê — a transitar pela via, elevando a exposição a acidentes.
A Prefeitura sustenta que a operação não foi executada de forma abrupta. De acordo com a gestão, houve um processo prévio de orientação, com notificações formais e prazos para desocupação voluntária. Paralelamente, foram apresentadas alternativas para a continuidade das atividades comerciais em locais regularizados, como a Feira Hippie e a Região da 44 — dois dos principais polos populares de comércio da cidade, com infraestrutura adequada e maior capacidade de absorção de vendedores.
A operação também contou com a atuação da Secretaria Municipal de Política para as Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos, que ofereceu encaminhamento para programas sociais e oportunidades de inserção no mercado formal de trabalho. Parte dos ambulantes, conforme relato oficial, aderiu às propostas e deixou a área de forma voluntária, enquanto outros tiveram mercadorias apreendidas diante da recusa em cumprir as determinações legais.
A administração municipal afirma que a ação ocorreu sem registro de confrontos, destacando que a atuação seguiu parâmetros legais e administrativos. Ainda assim, o episódio expõe uma tensão recorrente nos grandes centros urbanos: o equilíbrio entre a garantia do uso ordenado do espaço público e a subsistência de trabalhadores informais que dependem da ocupação dessas áreas para geração de renda.
Especialistas em planejamento urbano apontam que intervenções desse tipo tendem a ser mais eficazes quando acompanhadas de políticas estruturadas de inclusão produtiva, capazes de oferecer alternativas sustentáveis e permanentes aos trabalhadores afetados. Nesse contexto, a efetividade das medidas anunciadas pela Prefeitura dependerá não apenas da desocupação física do espaço, mas da capacidade de absorção desses profissionais em ambientes formalizados e economicamente viáveis.
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