Prefeitura de Goiânia solicita empréstimo de R$ 132 milhões ao BNDES
Recurso será voltado à modernização da gestão pública, com foco em inovação tecnológica, processos e sistemas; operação depende de aval da Câmara Municipal

A Prefeitura de Goiânia protocolou na Câmara Municipal, nesta terça-feira (23), um projeto de lei solicitando autorização para contratar um empréstimo de R$ 132 milhões junto ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O pedido prevê a possibilidade de garantia da União, o que pode assegurar condições financeiras mais vantajosas para a operação.
Segundo o texto encaminhado, os recursos não poderão ser utilizados em despesas correntes, como folha de pagamento ou custeio administrativo. O objetivo é financiar ações de modernização da gestão pública, com destaque para a implantação de tecnologias digitais, novos processos e sistemas de controle e eficiência administrativa.
Linhas de crédito
O projeto abre espaço para que o município acesse diferentes linhas de financiamento do BNDES, entre elas:
- PMAT (Programa de Modernização da Administração Tributária e da Gestão dos Setores Sociais Básicos);
- Fundo Clima – Desenvolvimento Urbano Resiliente e Sustentável;
- BNDES Mais Inovação.
A secretária municipal de Governo, Sabrina Garcêz, afirmou que a proposta é resultado de um diagnóstico realizado pelo próprio BNDES em capitais brasileiras. Goiânia foi indicada para acessar a linha de crédito ainda na gestão do ex-prefeito Rogério Cruz (SD), mas o processo não avançou. A atual administração, sob comando de Sandro Mabel (UB), retomou a negociação durante a transição de governo. O município deverá apresentar contrapartida de 10% do valor financiado.
Contexto político
O pedido de empréstimo chega em meio a um cenário político delicado para o prefeito Sandro Mabel, que enfrenta dificuldades na relação com a Câmara. Em agosto, o Executivo foi derrotado em duas votações de impacto: a criação da Comissão Especial de Inquérito (CEI) do Limpa Gyn e a aprovação, em primeiro turno, da revogação da Taxa de Limpeza Pública (TLP), conhecida como taxa do lixo.
Após os episódios, Mabel iniciou um processo de reorganização de sua base política, que incluiu a substituição da liderança na Casa: saiu Igor Franco (MDB), entrou Wellington Bessa (DC).
Apesar do cenário de tensão, a secretária de Governo destacou que a proposta deve ser analisada com foco no interesse público:
“É um projeto estruturante para Goiânia. O diagnóstico elaborado pelo BNDES será disponibilizado aos vereadores, e o Paço espera que o debate e a fiscalização ocorram de forma construtiva”, afirmou Sabrina Garcêz.
Histórico recente de financiamentos
Este é o terceiro empréstimo de vulto solicitado pela Prefeitura de Goiânia nos últimos dois anos:
- Em 2024, a gestão de Rogério Cruz contratou R$ 710 milhões junto ao Banco do Brasil, destinados a obras de infraestrutura.
- Em agosto deste ano, Sandro Mabel concluiu operação de R$ 54 milhões com o BNDES, voltada para investimentos em tecnologia tributária.
Com o novo pedido de R$ 132 milhões, a Prefeitura reforça a estratégia de ampliar o uso de crédito para financiar modernizações estruturais, mas a aprovação dependerá da negociação política com os vereadores — um teste crucial para a atual administração.
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