Operação da Polícia Civil investiga suposto desvio milionário em contratos da assistência social, em Goiânia
Ex-secretária Luanna Shirley é alvo de investigação que apura irregularidades em licitação para aquisição de tinta inseticida; prejuízo estimado chega a R$ 2,7 milhões

Uma operação conduzida pela Polícia Civil do Estado de Goiás apura suspeitas de irregularidades em contratos firmados pela antiga Secretaria Municipal de Desenvolvimento Humano e Social de Goiânia. A investigação, denominada Operação Núcleo Paralelo, tem como um dos alvos a ex-secretária Luanna Shirley de Jesus Sousa, que comandou a pasta após a saída de Maria Yvelona.
Segundo a corporação, a investigação concentra-se em um contrato firmado em 2024, cujo valor total alcançou cerca de R$ 4,4 milhões. O acordo previa a aquisição e aplicação de tinta inseticida utilizada em ações de controle sanitário em áreas vulneráveis do município. De acordo com os investigadores, parte significativa do material contratado não teria sido entregue conforme previsto, o que pode ter causado prejuízo estimado em aproximadamente R$ 2,7 milhões aos cofres públicos.
Durante a operação, foram cumpridos 13 mandados judiciais expedidos pela Justiça, incluindo duas ordens de prisão temporária executadas em Brasília, além de 11 mandados de busca e apreensão nas cidades de Goiânia, Valparaíso de Goiás e na própria capital federal. A decisão judicial também autorizou a quebra de sigilos telefônico, telemático, bancário e fiscal dos investigados, medida considerada essencial para aprofundar a análise das movimentações financeiras e da comunicação entre os envolvidos.
De acordo com a Polícia Civil, as apurações apontam indícios de que teria sido estruturado um núcleo informal dentro da administração municipal para agilizar a contratação da empresa fornecedora. As suspeitas incluem possíveis irregularidades no processo licitatório, inconsistências na execução contratual e falhas na fiscalização do fornecimento do produto.
Os investigadores também identificaram indícios de que parte do material entregue estaria em desacordo com as especificações contratuais, além de relatos sobre produtos com prazo de validade próximo do vencimento. Outro ponto analisado é a suposta ausência de controle adequado no almoxarifado municipal, o que teria dificultado o acompanhamento da quantidade efetivamente recebida e utilizada.
O contrato investigado previa o fornecimento e a aplicação de cerca de 10 mil litros de tinta inseticida — equivalente a mais de 2,5 mil latas do produto — em ações voltadas à saúde pública e ao controle de pragas urbanas. A Polícia Civil trabalha agora para determinar a extensão das irregularidades e identificar eventuais responsabilidades administrativas e criminais.
Em manifestação oficial, a atual Secretaria Municipal de Políticas para Mulheres, Assistência Social e Direitos Humanos informou que os fatos investigados estão relacionados à gestão anterior da pasta e ressaltou que a administração atual colabora com as autoridades responsáveis pela apuração.
O inquérito permanece em andamento e novas diligências não estão descartadas. As autoridades também analisam documentos apreendidos e dados financeiros que poderão esclarecer o fluxo de recursos relacionados ao contrato investigado.
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