MP-GO formaliza denúncia contra policial militar por estupro de vulnerável e exploração sexual, em Goiatuba
Acusação detalha série de crimes contra três adolescentes, registro de imagens e tentativa de obstrução das investigações mediante falsa identidade

O Ministério Público de Goiás (MP-GO) ofereceu denúncia formal contra um policial militar lotado em Goiatuba, na região sul do estado, pela prática de crimes sexuais e graves desvios de conduta envolvendo três adolescentes. O caso, que tramita sob rigoroso segredo de Justiça para preservar a integridade das vítimas — duas de 13 anos e uma de 15 —, detalha um enredo de abuso de autoridade, aliciamento e exploração sexual ocorrido em março de 2025.
De acordo com a peça acusatória, o investigado utilizou-se de sua proximidade com uma das vítimas, com quem possuía vínculo familiar indireto, para estabelecer contato por meio de aplicativos de mensagens. As investigações revelaram que o agente teria oferecido a quantia de R$ 250,00 para atrair as adolescentes. O crime foi consumado após o policial buscar as menores em seu veículo particular, fornecer-lhes bebidas alcoólicas e conduzi-las a um motel da cidade, onde os abusos ocorreram.
Além da violência sexual, o denunciado teria filmado os atos, produzindo material de conteúdo explícito. A descoberta do crime deu-se de forma acidental e em cadeia: as gravações foram compartilhadas pelo próprio policial e acabaram chegando ao conhecimento da mãe de uma das adolescentes. Diante da gravidade das imagens, o Conselho Tutelar foi acionado, desencadeando a intervenção das autoridades competentes.
Abuso de autoridade e obstrução de justiça
A conduta do servidor público extrapolou a esfera dos crimes sexuais. Consta nos autos que, ao tomar conhecimento de que estava sendo investigado, o policial militar teria tentado interferir no processo. Utilizando-se de uma estratégia de intimidação, ele teria se passado por um policial civil para obter informações privilegiadas junto à família de uma das vítimas, configurando o crime de falsa identidade com o intuito de obstruir a elucidação dos fatos.
Diante do rol de evidências, o Ministério Público imputou ao agente uma série de tipos penais, incluindo:
- Estupro de vulnerável;
- Favorecimento da prostituição e exploração sexual de criança ou adolescente;
- Produção de cena de sexo explícito envolvendo menor de idade;
- Corrupção de menores e fornecimento de bebida alcoólica a crianças ou adolescentes;
- Falsa identidade.
Medidas cautelares e posicionamento institucional
O Ministério Público solicitou o afastamento imediato do policial de todas as suas funções operacionais e administrativas. Entre as medidas cautelares pleiteadas estão o recolhimento do porte de arma, das munições e da identificação funcional, além da proibição absoluta de contato ou aproximação com as vítimas, seus familiares e eventuais testemunhas. A acusação também requer o pagamento de indenizações por danos morais e materiais às vítimas.
Em nota oficial, a Polícia Militar de Goiás reiterou seu compromisso com a legalidade e a ética profissional, afirmando que “não compactua com qualquer tipo de desvio de conduta” e que todas as medidas administrativas cabíveis estão sendo adotadas paralelamente ao processo judicial. O comando da corporação ressaltou que indícios de irregularidades são tratados com o rigor previsto nos regulamentos disciplinares e na legislação penal militar.
O desfecho do caso aguarda o pronunciamento do Judiciário, enquanto as vítimas recebem acompanhamento psicossocial coordenado pela rede de proteção à criança e ao adolescente do município.
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