Mortandade de peixes em Padre Bernardo levanta suspeita de contaminação por agrotóxico e mobiliza investigação ambiental
Pulverização aérea em lavoura vizinha teria atingido represa e tanques de piscicultura; Polícia Civil apura possível crime ambiental com base em perícia técnica

Uma mortandade estimada em cerca de cinco toneladas de peixes acendeu alerta ambiental em uma propriedade rural de Padre Bernardo, no Entorno do Distrito Federal. Produtores locais atribuem o prejuízo à possível deriva de agrotóxicos provenientes de pulverização aérea realizada em uma lavoura vizinha. O caso é investigado pela Polícia Civil de Goiás (PCGO), com apoio da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente (Dema).
Segundo registro formal de ocorrência, a aplicação aérea ocorria em plantação de milho quando o produto químico teria alcançado uma represa e quatro tanques destinados à criação comercial de peixes. Funcionários da fazenda relataram ter encontrado grande quantidade de animais mortos na superfície da água. Também houve relatos de mal-estar entre trabalhadores, incluindo gestantes, em razão de odor intenso após a pulverização.
Imagens divulgadas por proprietários mostram um avião agrícola sobrevoando área próxima aos viveiros e, posteriormente, a concentração de peixes mortos. A suspeita central é de que tenha ocorrido deriva — fenômeno em que partículas do defensivo se deslocam para além da área-alvo por ação do vento ou de condições climáticas inadequadas — atingindo o espelho d’água.
A propriedade afetada mantém atividade aquícola há mais de duas décadas, com espécies como lambari, traíra, piau e matrinxã. O produtor informou que pretende representar criminalmente contra os responsáveis pela fazenda vizinha, embora não tenha afirmado se o episódio decorreu de falha operacional ou conduta deliberada.
O delegado Luziano de Carvalho, da Dema, explicou que a caracterização do crime depende de laudo pericial que comprove o nexo causal entre a substância aplicada e a mortandade. A apuração inclui coleta de amostras de água, sedimentos e tecidos dos peixes para análise laboratorial. “Somente com exame técnico é possível confirmar se houve contaminação por agrotóxico e se a aplicação ocorreu em desacordo com as normas ambientais e agronômicas”, afirmou.
A legislação brasileira prevê responsabilidade penal e administrativa para casos de poluição que resultem em danos à fauna ou à saúde humana. A Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998) tipifica como crime causar poluição que provoque mortandade de animais, com pena de reclusão e multa. A aplicação irregular de agrotóxicos também pode configurar infração específica, sujeita a sanções que incluem multa elevada e suspensão de atividades.
Especialistas em direito ambiental ressaltam que a pulverização aérea é regulamentada por normas federais que exigem distância mínima de corpos d’água, observância de condições meteorológicas adequadas e controle rigoroso da deriva. Caso fique comprovado o descumprimento desses protocolos, os responsáveis poderão responder tanto na esfera criminal quanto na administrativa e civil, inclusive por indenização pelos prejuízos econômicos.
A investigação segue em andamento, e os resultados periciais serão determinantes para a definição de responsabilidades.
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