24 de janeiro de 2026
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Ministério da Saúde aposta em programa inovador para alavancar doações; Goiás já soma 401 transplantes em 2025

Enquanto o Brasil registra recorde de 14,9 mil transplantes no semestre, a nova Política Nacional de Doação e Transplantes e incentivos ao diálogo em hospitais buscam reverter a recusa familiar, presente em 45% dos casos
Número refere-se ao primeiro semestre do ano e segue uma tendência nacional de crescimento. Campanha deste ano tem como como mote: “Você diz sim, o Brasil inteiro agradece”

Goiás superou a marca de 401 transplantes de órgãos e tecidos nos primeiros seis meses de 2025 — número que inclui cinco fígados, quatro pâncreas, quatro transplantes combinados de rim, 69 renais isolados, 291 córneas e 32 de medula óssea. Essa produção local ocorre enquanto o Brasil bate recorde nacional: 14,9 mil transplantes realizados no semestre, um salto de 21% em relação ao ano de 2022.

No entanto, esse desempenho positivo enfrenta um dos principais empecilhos estruturais do sistema: a recusa familiar à doação, presente em cerca de 45% dos casos confirmados de possibilidade de doador. Para enfrentar esse desafio, o Ministério da Saúde lançou uma medida inédita: o Programa Nacional de Qualidade na Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (PRODOT), que prevê incentivos financeiros para equipes hospitalares envolvidas no processo de doação.


Estratégia para reduzir recusa familiar

O PRODOT está estruturado para reconhecer e valorizar os profissionais hospitalares responsáveis por identificar potenciais doadores, gerir a logística da remoção e conduzir o momento sensível do diálogo com os familiares. É a primeira vez que tais equipes poderão receber bônus vinculados ao volume de atendimentos e indicadores de desempenho, com foco no aumento efetivo das doações.

O programa soma-se a um investimento global de R$ 20 milhões anuais para o Sistema Nacional de Transplantes (SNT) — sendo R$ 13 milhões direcionados para expansão de procedimentos, como o uso de membrana amniótica e transplantes multiviscerais, e R$ 7,4 milhões destinados ao PRODOT.

Adicionalmente, foi formalizada a Política Nacional de Doação e Transplantes (PNDT) via portaria, pela primeira vez explicitada desde a criação do sistema em 1997. A normativa consolida princípios, diretrizes e mecanismos de redistribuição regional de órgãos, priorizando equidade e eficiência logística.

O lançamento da campanha de conscientização nacional traz como lema:
“Doação de Órgãos. Você diz sim, o Brasil inteiro agradece. Converse com sua família, seja um doador.”

A pasta enfatiza que a manifestação do desejo de doar em vida — verbalmente ou por escrito — reforça a decisão dos familiares em momento de dor.


Goiás: desempenho local e perspectivas

O Estado de Goiás figura com 401 procedimentos no semestre, reforçando a relevância regional no contexto nacional. Segundo o relatório estadual, a Central Estadual de Transplantes (CET-GO) coordena a regulação e monitora a fila de receptores ativos e semiatrios para múltiplas modalidades.

No âmbito hospitalar, o Hospital Estadual Dr. Alberto Rassi (HGG), em Goiânia, destaca-se por expansão expressiva: em relação a 2022, elevou sua produção de transplantes em 50%. A unidade passou a realizar transplantes de medula óssea, rim-pâncreas, pâncreas e ampliou seu papel no sistema estadual.

Goiás também lida com número expressivo de pessoas na fila de espera: cerca de 2.404 indivíduos aguardam transplantes, sendo 1.705 pela córnea, 691 por rim, sete por fígado e um por pâncreas.

Historicamente, o estado figura entre os principais do país no que se refere à capacidade renal — o HGG já é referência no Centro-Oeste e possui avaliação máxima nos indicadores de qualidade.


Desafios e imperativos

Embora os números recentes sejam encorajadores, vários pontos de atenção persistem:

  • Recusa familiar elevada: cerca de 45% das famílias ainda rejeitam a doação quando questionadas, representando obstáculo relevante à ampliação do sistema.
  • Desigualdade regional: alguns estados mantêm oferta reduzida de transplantes ou enfrentam carência de estrutura hospitalar capaz de atender múltiplas modalidades.
  • Capacitação e acolhimento: o momento da abordagem familiar é decisivo e exige equipes treinadas em comunicação humanizada, informação clara e sensível.
  • Logística de transporte de órgãos: a redistribuição eficiente depende de infraestrutura de transporte e coordenação inter-estatal. A nova política já prevê ajustes regionais.
  • Sustentação orçamentária: a continuidade dos incentivos e expansão de procedimentos dependerá de compromisso financeiro e operacional permanente.

A iniciativa do governo federal representa um movimento estratégico para transformar cultura, processos hospitalares e resultados clínicos no campo de transplantes. Em Goiás, os indicadores apontam um sólido avanço, mas ainda há espaço para conquista adicional de vidas. A eficácia dessa virada dependerá da conjugação entre técnica, comunicação e sensibilidade — no âmago do gesto que salva vidas.

Tags: doação de órgãos, transplantes, Goiás, Prodot, Policy Nacional de Doação e Transplantes, saúde pública, recusa familiar, Ministério da Saúde

Marcus

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