Jovem de 25 anos é arrastada por carro conduzido pelo ex-namorado em Anápolis e caso vira investigação da Polícia Civil
Imagens captadas por câmeras registram o momento em que a vítima, afirmando ser proprietária do veículo, foi puxada pela porta e arrastada pela Avenida Brasil Norte; suspeito permanece foragido.
Uma jovem de 25 anos foi arrastada por um automóvel conduzido por seu ex-namorado na manhã deste domingo (9) em Anápolis, região central de Goiás. O flagrante, registrado por câmeras de segurança da Rua Avenida Brasil Norte, em frente à Farmácia JK, mostra a mulher pendurada na janela do veículo — um modelo Celta de cor vinho — e sendo arrastada pela via após uma discussão sobre a devolução do automóvel, que ela afirma ser de sua propriedade.
De acordo com relato da vítima à Polícia Militar (PM-GO), ela havia requisitado devolução do carro após o fim do relacionamento. Ao se aproximar do veículo para discutir a devolução, o ex-namorado recusou-se e iniciou a condução com a mulher ainda em contato com o carro, acelerando e arrastando-a ao longo da via. Após o ato, o condutor desembarcou do veículo e fugiu a pé, enquanto a vítima sofreu lesões e acionou a PM.
A Polícia Civil de Goiás (PC-GO) instaurou inquérito para apuração dos fatos, classificando-o como possível crime de violência doméstica e direção perigosa, e está em busca do suspeito. Até o momento, ele não foi localizado, e a defesa não se manifestou sobre o episódio.
Dinâmica e contexto
As imagens mostram a vítima agarrada à porta do automóvel por trecho significativo da avenida, com tentativas de se soltar antes de ser de fato arremessada de lado. Especialistas ouvidos por esta reportagem observam que o ato de “arrastar” uma pessoa por veículo configura não apenas violência, mas também risco elevado de lesões graves ou fatais, e pode enquadrar-se em tentativa de homicídio dependendo dos desdobramentos.
Além disso, o uso de veículo em contexto de disputa possessória — como na disputa por bens após término de relação — evidencia a necessidade de atuação ágil das autoridades na esfera penal e de proteção da mulher.
Situação da vítima e procedimentos
A jovem não solicitou, até o momento, medida protetiva de urgência, como previsto na Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006). Segundo a PM, foi registrado boletim de ocorrência na Central de Flagrantes de Anápolis e a vítima está sendo orientada sobre seus direitos.
A PM e a PC-GO utilizam as imagens de câmeras públicas e privadas próximas ao local — segundo os registros iniciais — para identificar o veículo e traçar caminho de fuga, além de solicitar à concessionária de telefonia acesso a localizações e à perícia exaustiva na lataria do automóvel.
O caso reforça o alerta para o contexto de violência contra mulheres no âmbito doméstico e de relacionamentos anteriores, sobretudo quando se mistura disputa por patrimônio e uso de veículos como instrumento de intimidação ou agressão. ONG’s e advogados consultados por esta reportagem ressaltam que a conjunção entre término de relação, disputa por bem compartilhado e acesso ao automóvel frequentemente antecede episódios de agressão física ou grave risco à vida.
A comunidade local de Anápolis foi informada do ocorrido por autoridades policiais para que qualquer informação que leve à localização do suspeito seja compartilhada de forma imediata, garantindo anonimato e segurança ao colaborador.
O inquérito civil prossegue e as autoridades esperam que a identificação, prisão preventiva ou outras medidas cautelares sejam adotadas em breve. A ocorrência serve também como indicador para reforço de patrulhamento em áreas urbanas de maior fluxo e risco de agressões vinculadas a disputas pós-relacionamento.
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