Greve médica no Hospital e Maternidade Célia Câmara expõe impasse sobre pagamentos e condições de trabalho em Goiânia
Paralisação de 48 horas anunciada pelo Simego atinge atendimentos eletivos na unidade municipal, enquanto urgência e emergência serão mantidas; discussão envolve Secretaria Municipal de Saúde, organização social gestora e vereadores da capital.

A decisão de médicos que atuam no Hospital e Maternidade Municipal Célia Câmara de suspender parte das atividades por 48 horas reacendeu o debate sobre a gestão das maternidades públicas em Goiânia. A paralisação, aprovada em assembleia do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), foi anunciada como resposta a atrasos nas remunerações e a dificuldades estruturais relatadas pelos profissionais que atuam na unidade.
De acordo com o sindicato, a greve está prevista para ocorrer entre as 7h de segunda-feira (9) e as 7h de quarta-feira (11). Durante o período, os atendimentos eletivos — consultas e procedimentos programados — serão interrompidos, enquanto os serviços classificados como urgência e emergência continuarão funcionando, em conformidade com a legislação que regula movimentos paredistas em áreas essenciais da saúde.
O Simego afirma que a mobilização foi motivada pelo não atendimento de reivindicações encaminhadas aos gestores da unidade. Entre as demandas estão o pagamento imediato de remunerações em atraso e a garantia de condições adequadas de trabalho, com disponibilidade de equipes e insumos suficientes para assegurar o atendimento seguro à população.
O Hospital e Maternidade Célia Câmara integra a rede municipal de saúde e é administrado por organização social. Segundo o sindicato, os problemas relatados estariam associados à transição recente de gestão e à atuação de empresas terceirizadas envolvidas na prestação de serviços médicos.
A situação também repercutiu na Câmara Municipal de Goiânia. Durante sessão plenária, vereadores cobraram esclarecimentos sobre os pagamentos aos profissionais e sobre a regularidade dos contratos administrativos ligados à unidade. O vereador Coronel Urzêda (PL) afirmou na tribuna que há relatos de atraso no pagamento de médicos e outros trabalhadores, mencionando que profissionais teriam recebido valores referentes ao mês de dezembro apenas em março, enquanto remunerações posteriores ainda estariam pendentes.
No debate parlamentar, o vereador Pedro Azulão Jr. (MDB) relatou ter buscado informações diretamente com a Secretaria Municipal de Saúde. Segundo ele, a pasta reconheceu um atraso pontual no fluxo de pagamentos e indicou que a situação estaria sendo tratada administrativamente.
Em nota oficial, a Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia informou que os repasses financeiros às organizações sociais responsáveis pela gestão das maternidades municipais foram efetuados dentro dos prazos contratuais e que não há valores em aberto com as instituições. A pasta acrescentou que acompanha permanentemente a qualidade e a disponibilidade dos serviços prestados nas três maternidades da rede municipal.
Procurada para comentar a situação, a Sociedade Beneficente São José — responsável pela administração do Hospital e Maternidade Célia Câmara — afirmou que mantém diálogo com a categoria médica e que adota medidas para assegurar a continuidade da assistência hospitalar.
A maternidade é uma das principais unidades públicas da capital destinadas ao atendimento obstétrico e neonatal, recebendo pacientes de Goiânia e de municípios da região metropolitana. O anúncio da paralisação ocorre em um contexto de pressão crescente sobre a rede pública de saúde, marcada por demanda elevada por serviços materno-infantis e pela necessidade de estabilidade na gestão hospitalar.
Nota – Maternidade Célia Câmara
A Maternidade Célia Câmara informa que tem conhecimento da deliberação de paralisação anunciada pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (SIMEGO) e mantém diálogo aberto com os profissionais e suas entidades representativas.
A unidade segue funcionando e organizada para garantir a assistência às gestantes, puérperas e recém-nascidos atendidos pelo SUS, com manutenção dos atendimentos e prioridade absoluta à segurança da população.
A Maternidade reafirma seu compromisso com a transparência, o diálogo institucional e a busca de soluções responsáveis para a situação.
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