8 de janeiro de 2026
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Governo de Goiás redefine destino de prédios dos Credeqs e encerra modelo iniciado em gestões anteriores

Unidades concluídas são convertidas para educação e formação técnica, enquanto obras inacabadas retornam aos municípios; apenas complexo de Aparecida segue operando na saúde mental
Prédio que seria uma unidade do Credeq será repassado ao município com a devolução da área pelo Estado (Wildes Barbosa / O Popular)

O Governo de Goiás formalizou a reorientação definitiva dos imóveis originalmente destinados aos Centros Estaduais de Referência e Excelência em Dependência Química (Credeqs), projeto concebido na década passada e que não alcançou implementação plena no interior do estado. A decisão estabelece novos usos para prédios concluídos, transfere estruturas inacabadas às administrações municipais e consolida o encerramento do modelo fora da Região Metropolitana, preservando apenas a unidade de Aparecida de Goiânia como referência em saúde mental.

Entre os edifícios finalizados, o antigo Credeq de Quirinópolis foi doado ao Instituto Federal de Goiás (IFG), onde está em curso a implantação do Campus Quirinópolis. A instituição informou que o prédio passa por readequações para atender às exigências acadêmicas — incluindo salas de aula, laboratórios, biblioteca, áreas administrativas, espaços de convivência, instalações esportivas e moradia estudantil — com previsão de conclusão das obras em março de 2026, paralelamente ao trâmite de autorização junto ao Ministério da Educação.

Já o imóvel de Goianésia, cuja construção foi concluída mas nunca entrou em operação como unidade de saúde, teve sua cessão ao município formalizada e será destinado à educação profissional. Em tratativas avançadas com a Secretaria de Estado da Educação (Seduc), o prédio abrigará o Agrocolégio Estadual Maguito Vilela, escola de ensino médio integrado ao curso técnico em Agropecuária, em regime de semi-internato. A mudança permitirá a ampliação de vagas e a interiorização de um modelo voltado à formação de jovens para a gestão e sucessão no campo.

As construções inacabadas de Morrinhos e Caldas Novas, com execução estimada entre 40% e 50%, seguem para devolução às prefeituras. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-GO), os processos administrativos estão em fase final, uma vez que as doações originais dos terrenos condicionavam a destinação exclusivamente aos Credeqs, sem possibilidade de alteração pelo Estado. Em Morrinhos, a reversão já conta com parecer favorável da Procuradoria-Geral do Município, enquanto Caldas Novas avalia alternativas que vão de equipamentos educacionais e de saúde a centros administrativos ou de assistência social.

A reconfiguração ocorre após análises técnicas que apontaram a inviabilidade de estruturar os Credeqs conforme o projeto original. As obras, iniciadas entre 2012 e 2016, consumiram valores expressivos — apenas o prédio de Goianésia teve custo estimado em R$ 29,5 milhões — e permaneceram sem uso por anos. Em determinado período, a estrutura chegou a servir como depósito provisório de equipamentos inservíveis da própria SES-GO, diante de limitações logísticas do almoxarifado estadual.

No campo da assistência, permanece em funcionamento apenas a unidade de Aparecida de Goiânia, hoje denominada Complexo de Referência Estadual em Saúde Mental (Cresm). O serviço atua como referência estadual em transtornos mentais e dependência química, com atendimento pelo SUS, oferta de diagnóstico, tratamento e acompanhamento contínuo. O complexo dispõe de 108 leitos — incluindo internação e desintoxicação — e mantém um ambulatório com média de 3,3 mil atendimentos mensais, atendendo públicos adulto e infantojuvenil.

A SES-GO afirma que a estratégia atual prioriza o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (Raps), com ampliação de leitos em hospitais gerais e psiquiátricos, além de investimentos nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), inclusive os especializados em álcool e outras drogas, em conformidade com a política nacional de saúde mental.

O histórico do projeto também é acompanhado por órgãos de controle. Em maio de 2023, o Tribunal de Contas do Estado de Goiás (TCE-GO) determinou a devolução de mais de R$ 1,3 milhão aos cofres públicos por superfaturamento em serviços do Credeq de Caldas Novas. O processo permanece suspenso por recurso pendente, sob relatoria do conselheiro Sebastião Tejota, com julgamento definitivo previsto para 2026.

Com a redefinição das destinações, o governo estadual sustenta que busca evitar o desperdício de recursos públicos, dar funcionalidade a estruturas já construídas e alinhar investimentos às políticas setoriais vigentes, especialmente nas áreas de educação profissional e saúde mental.

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Marcus

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