Governo de Goiás propõe reajuste histórico em pensões de vítimas do césio-137
Projeto enviado por Ronaldo Caiado eleva benefícios em quase 70% e alcança mais de 600 atingidos pelo maior acidente radiológico urbano do mundo
O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, encaminhou à Assembleia Legislativa do Estado de Goiás um projeto de lei que prevê a atualização significativa das pensões pagas às vítimas do Acidente radiológico de Goiânia. A proposta estabelece um reajuste de 69,92% nos valores da chamada Pensão Especial Vitalícia, beneficiando 603 pessoas diretamente impactadas pelo desastre.
O texto redefine os patamares do benefício conforme o grau de exposição à radiação. Para os atingidos por níveis superiores a 100 RAD (Doses Absorvidas de Radiação), o valor mensal passará de R$ 1.908 para R$ 3.242. Já para os demais beneficiários, a pensão será ajustada de R$ 954 para R$ 1.621. A medida, segundo o governo estadual, busca recompor perdas inflacionárias acumuladas e ampliar a capacidade de subsistência dos assistidos.
Considerado o mais grave acidente radiológico ocorrido fora de uma usina nuclear, o episódio registrado em Goiânia, em 1987, deixou marcas permanentes na saúde pública, no tecido social e na memória coletiva do estado. Décadas após a contaminação por material radioativo, parte das vítimas ainda enfrenta consequências clínicas, psicológicas e socioeconômicas, o que mantém o tema como pauta recorrente de políticas públicas.
Ao justificar a iniciativa, o governador afirmou que o reajuste representa uma medida de reparação institucional diante de um episódio que extrapola gerações. A primeira-dama Gracinha Caiado, que atua na coordenação de programas sociais, destacou que os beneficiários também recebem suporte por meio de ações assistenciais complementares, voltadas à promoção de dignidade e inclusão.
Do ponto de vista fiscal, o impacto estimado do reajuste é de aproximadamente R$ 3,6 milhões em 2026, com projeção de R$ 4,9 milhões anuais nos exercícios subsequentes. Especialistas em políticas públicas apontam que a atualização periódica de benefícios dessa natureza é fundamental para preservar seu caráter indenizatório e assistencial, sobretudo em casos de danos permanentes.
A proposta ainda será analisada pelos deputados estaduais, mas já é tratada como uma das principais iniciativas recentes voltadas à reparação de vítimas do acidente. O tema segue acompanhado por entidades de defesa dos atingidos, que historicamente reivindicam não apenas a recomposição financeira, mas também o fortalecimento de políticas de saúde e acompanhamento contínuo.
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