Golpe dos Móveis Planejados: Justiça Bloqueia R$ 500 Mil de Grupo Empresarial Acusado de Fraudes em Goiás e São Paulo
Empresas são investigadas por vender projetos de móveis planejados sem entregar os produtos.
Uma operação deflagrada nesta terça-feira (8) pelas polícias civis de Goiás e São Paulo desarticulou um grupo suspeito de aplicar golpes envolvendo falsos serviços de móveis planejados, com vítimas em pelo menos dois estados. A Justiça determinou o bloqueio de R$ 500 mil em bens, e três pessoas foram presas temporariamente durante a ação, que também cumpriu quatro mandados de busca e apreensão.
As ordens judiciais foram executadas nas cidades de Goiânia e Aparecida de Goiânia, em Goiás, e em Santo André, no ABC paulista. A operação foi conduzida pela Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra o Consumidor (Decon), coordenada pela delegada Débora Melo, com apoio da Polícia Civil de São Paulo.
Segundo a investigação, empresas do grupo ofereciam serviços personalizados de móveis planejados com promessas de entrega rápida e descontos atrativos. Após firmarem contrato e receberem os pagamentos — que variavam de R$ 7 mil a R$ 100 mil por cliente — os suspeitos simplesmente não entregavam os produtos nem reembolsavam os consumidores, caracterizando o golpe.
“As empresas realizavam a venda do serviço, mas o consumidor nunca via o móvel entregue, nem o dinheiro de volta. É uma prática claramente abusiva e fraudulenta”, afirmou a delegada Débora Melo, em vídeo divulgado pela Polícia Civil de Goiás.
Esquema com aparência de legalidade
A estrutura montada pelos suspeitos incluía CNPJs ativos, showrooms, sites, redes sociais e contratos formalizados, o que dava ao golpe uma aparência de legalidade e profissionalismo, dificultando a desconfiança inicial dos clientes. Em alguns casos, projetos e imagens em 3D eram enviados aos consumidores, reforçando a ilusão de que o serviço seria prestado.
De acordo com a Decon, até o momento seis vítimas já foram ouvidas formalmente, mas o número pode ser significativamente maior. A polícia solicita que outras pessoas que tenham sido lesadas pelo mesmo esquema compareçam à delegacia ou registrem boletim de ocorrência online, para que as investigações sejam aprofundadas.
A delegada explicou que o material apreendido — incluindo computadores, celulares, documentos e contratos — será agora analisado minuciosamente. Os presos permanecem à disposição da Justiça e poderão ser indiciados por estelionato e associação criminosa, crimes cujas penas somadas podem ultrapassar 10 anos de reclusão.
Um golpe que se alastra pelo setor
Casos semelhantes têm sido registrados em diferentes partes do país, expondo a vulnerabilidade dos consumidores no setor de móveis planejados. A ausência de fiscalização preventiva eficaz e a facilidade de abertura de empresas e marketing digital têm sido apontadas como fatores que facilitam esse tipo de golpe.
Especialistas em Direito do Consumidor orientam que, antes de fechar contratos com empresas desse ramo, o ideal é:
- Verificar o CNPJ e a situação da empresa na Receita Federal;
- Consultar reclamações em plataformas como Reclame Aqui e Procon;
- Solicitar referências de outros clientes atendidos;
- Evitar pagamentos integrais antecipados.
A investigação segue em curso, e novas prisões não estão descartadas. O bloqueio de bens busca garantir ressarcimento às vítimas, caso a culpa dos investigados seja comprovada. O caso agora será acompanhado pelo Ministério Público e pelo Poder Judiciário, que analisarão os desdobramentos processuais.
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