Goiás se projeta como potência tecnológica e mineral ao atrair o Japão para parceria em terras raras
Com reservas estratégicas e políticas inovadoras em inteligência artificial, estado consolida posição geopolítica de destaque em meio à transição energética global. Missão japonesa chega em agosto para avançar investimentos em mineração de terras raras.

Goiás emerge como um dos centros mais estratégicos do Brasil e da América Latina na disputa global por minerais críticos, com destaque para os chamados elementos de terras raras — fundamentais para a transição energética, a indústria de alta tecnologia e a segurança nacional. Sob a liderança do governador Ronaldo Caiado, o estado tem se consolidado como polo de investimentos em recursos naturais, inovação e ciência aplicada.
A guinada ganhou novo impulso nesta segunda-feira, 14 de julho de 2025, quando Caiado, em missão oficial ao Japão, apresentou o potencial mineral goiano ao ministro da Economia, Comércio e Indústria japonês, Ogushi Masaki. O encontro resultou em um acordo imediato: o governo japonês enviará uma missão técnica a Goiás ainda na segunda quinzena de agosto, com o objetivo de avaliar oportunidades concretas de investimento e transferência de tecnologia na mineração de terras raras.
“Muitas empresas japonesas estão interessadas em investir nessa área. O governo do Japão quer impulsionar essas parcerias com Goiás”, declarou Masaki, segundo comunicado oficial do Ministério.
Goiás na disputa pelos minerais do século XXI
A movimentação insere Goiás no centro de uma das maiores disputas geoeconômicas contemporâneas: a busca por fontes alternativas de minerais estratégicos, frente à hegemonia da China, que detém mais de 60% da produção mundial de terras raras. Esses elementos são indispensáveis à fabricação de veículos elétricos, turbinas eólicas, baterias de alta densidade energética, chips, equipamentos médicos e armamentos de alta precisão.
Goiás concentra algumas das jazidas mais promissoras do país, com destaque para os projetos Serra Verde, em Minaçu, e Aclara Resources, com operações previstas em Nova Roma, Iporá e Aparecida de Goiânia. Segundo a Agência Nacional de Mineração (ANM), esses empreendimentos estão entre os mais avançados do Brasil — país que possui a segunda maior reserva mundial conhecida de óxidos de terras raras, atrás apenas da China.
Durante o encontro com o ministro japonês, Caiado destacou o papel estratégico do estado:
“Temos recursos naturais abundantes, água em volume seguro, energia limpa e potencial logístico. Mas precisamos da tecnologia necessária para a separação e purificação dos elementos presentes nas terras raras. O Japão é referência nessa área, e queremos construir essa ponte”, disse o governador.
Inovação como política de Estado
A atuação internacional do governo goiano não se restringe à mineração. Ela integra uma política de longo prazo voltada à ciência, tecnologia e inovação, que vem sendo implementada com consistência desde 2019. Um dos marcos mais recentes foi a criação da primeira Lei Estadual de Inteligência Artificial do Brasil, posicionando Goiás como vanguarda na regulação e no fomento ao desenvolvimento ético e estratégico da IA.
A Política Estadual de Fomento à Inovação em Inteligência Artificial, aprovada com ampla participação de universidades, setor produtivo e especialistas, estabelece diretrizes para a aplicação de IA em setores-chave como saúde pública, indústria, agronegócio e empreendedorismo. O modelo inovador chamou atenção internacional. Em maio, durante visita aos EUA, Caiado foi convidado pela Amazon para apresentar os detalhes da legislação ao vice-presidente global de Relações Institucionais, Shannon Kellogg, que elogiou o caráter moderno e colaborativo da iniciativa.
Entre 2019 e 2024, Goiás investiu mais de R$ 689 milhões em projetos de ciência, tecnologia e inovação, com destaque para:
- Hub Goiás, maior centro público de apoio a startups do Centro-Oeste, com mais de 160 empresas apoiadas;
- Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia/UFG), referência continental que já captou mais de R$ 300 milhões em investimentos e desenvolve soluções para governos, setor privado e organismos internacionais.
Convergência estratégica: minério, energia e inteligência
Ao atrair a atenção do Japão — país dependente da importação de terras raras e altamente sensível a gargalos logísticos globais —, Goiás articula uma convergência estratégica entre recursos minerais, sustentabilidade energética e avanço tecnológico. Em um cenário global volátil, a capacidade de fornecer insumos críticos com segurança jurídica, estrutura física e política de inovação estável transforma o estado em ativo geopolítico valioso.
Mais que uma oportunidade econômica, a exploração responsável de terras raras e o fortalecimento do ecossistema tecnológico goiano representam uma guinada histórica no perfil produtivo do estado, que avança para além do agronegócio, assumindo posição de destaque na economia do conhecimento e na matriz energética do futuro.
Fontes consultadas:
- Governo de Goiás
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