23 de janeiro de 2026
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Goiás inicia vazio sanitário do algodão para conter praga que pode atingir 70% das lavouras

Região 4 do estado passa por período obrigatório de suspensão de cultivo entre 10 de novembro e 20 de janeiro para impedir reprodução de bicudo‑do‑algodoeiro; fiscalização será intensificada.
Medida obrigatória segue Programa Nacional de Controle do Bicudo-do-Algodoeiro (Anthonomus grandis) (PNCB), principal praga que afeta a cotonicultura brasileira (Foto: Agrodefesa)

A Agência Goiana de Defesa Agropecuária (Agrodefesa) anunciou que a cultura do algodão na Região 4 de Goiás estará sujeita a vazio sanitário obrigatório, a partir da próxima segunda-feira (10 de novembro) até 20 de janeiro de 2026. A medida, contida na Instrução Normativa nº 05/2025, visa interromper o ciclo de vida do bicudo‑do‑algodoeiro (Anthonomus grandis), principal praga da cotonicultura brasileira.

De acordo com o presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, a operação também abrange áreas de pecuária na região, uma vez que o uso de caroço de algodão na alimentação animal pode contribuir para germinação indesejada. Ele alerta para atenção redobrada em algodoeiras, confinamentos e transportadoras de caroço ou algodão em caroço.

O gerente de Sanidade Vegetal da agência, Leonardo Macedo, enfatiza que o bicudo-do-algodoeiro pode causar perdas de até 70% da lavoura em uma campanha se não for controlado adequadamente. “O vazio sanitário é a prática de manejo utilizada para interromper o ciclo de multiplicação da espécie, evitando sua disseminação”, afirmou.


Medidas exigidas e fiscalização

Durante o período de vazio, os produtores devem garantir que não haja plantas de algodão cultivadas ou voluntárias (tigueras ou guaxas) em qualquer estágio de desenvolvimento. Restos culturais e rebrotas (soqueiras) que contêm estruturas reprodutivas devem ser eliminados.

Além disso, a fiscalização será intensificada pela Agrodefesa, que verificará:

  • destruição dos restos culturais em até 15 dias após a colheita;
  • acondicionamento adequado de fardos ou caroço de algodão transportados — com lona, tela sombrite, amarração firme e limpeza da carroceria para evitar derramamento.

Abrangência e calendário regional

A Região 4 inclui dezenas de municípios, entre eles Adelândia, Araguapaz, Goianésia, Jussara, Novo Brasil, Porangatu, Uruaçu, entre outros. Goiás+1

Nos demais polos do estado, o cronograma de vazio sanitário já foi ou será iniciado conforme a divisão regional:

  • Região 1: 15/09 a 25/11
  • Região 2: 20/09 a 30/11
  • Região 3: 10/09 a 19/11

Importância para a cotonicultura

A adoção do vazio sanitário contribui para preservar a competitividade da cultura do algodão em Goiás, cuja produtividade seria drasticamente afetada por reinfestações da praga. A medida engloba tanto o cultivo quanto transporte e armazenagem de material residual ou de caroço, que podem servir de “ponte” para o bicudo-do-algodoeiro.

Para o produtor, cumprir o calendário significa reduzir riscos fitossanitários, evitar autuações e garantir que a lavoura futura não sofra com perdas elevadas. Para o estado, representa fortalecimento da sanidade vegetal, manutenção de mercado e apoio ao agronegócio.

Regiões

Os municípios que compõe a Região 4 e devem cumprir o vazio sanitário são:

  • Adelândia, Alto Horizonte, Amaralina, Americano do Brasil, Amorinópolis, Anicuns, Araçu, Araguapaz, Aruanã;
  • Barro Alto (abaixo de 500 metros de altitude), Bonópolis, Brazabrantes, Britânia, Buriti de Goiás;
  • Campinorte, Campos Verdes, Carmo do Rio Verde, Caturaí, Ceres, Córrego do Ouro, Crixás;
  • Damolândia, Diorama;
  • Estrela do Norte;
  • Faina, Fazenda Nova, Flores de Goiás (abaixo de 500 metros de altitude), Formoso;
  • Goianésia, Goiás, Guaraíta, Guarinos;
  • Heitoraí, Hidrolina;
  • Inhumas, Ipiranga de Goiás, Iporá, Israelândia, Itaberaí, Itaguari, Itaguaru, Itapaci, Itapirapuã, Itapuranga, Itauçu, Ivolândia;
  • Jaraguá, Jaupaci, Jesúpolis, Jussara;
  • Mara Rosa, Matrinchã, Moiporá, Montes Claros de Goiás, Montividiu do Norte, Morro Agudo de Goiás, Mossâmedes, Mozarlândia, Mundo Novo, Mutunópolis;
  • Niquelândia (abaixo de 500 metros de altitude), Nova América, Nova Crixás, Nova Glória, Nova Iguaçu de Goiás, Nova Veneza, Novo Brasil, Novo Planalto;
  • Ouro Verde;
  • Petrolina de Goiás, Pilar de Goiás, Porangatu;
  • Rialma, Rianápolis, Rubiataba;
  • Sanclerlândia, Santa Fé de Goiás, Santa Izabel, Santa Rita do Novo Destino, Santa Rosa de Goiás, Santa Teresinha de Goiás, Santa Tereza de Goiás, São Francisco de Goiás, São Luiz do Norte, São Luiz dos Montes Belos, São Miguel do Araguaia, São Patrício, Simolândia (abaixo de 500 metros de altitude);
  • Taquaral de Goiás, Teresina de Goiás (abaixo de 500 metros de altitude), Teresópolis de Goiás (abaixo de 500metros de altitude), Trombas;
  • Uirapuru, Uruaçu e Uruana;
  • Vila Boa (abaixo de 500 metros de altitude) e Vila Propício(abaixo de 500 metros de altitude).

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Marcus

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