Goiás inicia distribuição da vacina Butantan-DV contra dengue e prioriza profissionais de saúde
Primeiro lote com 16 mil doses do imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan chega à Rede de Frio estadual; aplicação começa por trabalhadores da Atenção Primária

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) recebeu as primeiras 16 mil doses da Butantan-DV, vacina de dose única contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS). O imunizante, aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, é indicado para pessoas de 12 a 59 anos e utiliza tecnologia de vírus vivo atenuado, com cobertura para os quatro sorotipos do vírus da dengue.
As doses estão armazenadas na Rede de Frio estadual, em Goiânia, estrutura responsável pela conservação e logística de imunobiológicos. A distribuição aos municípios seguirá planejamento pactuado entre a SES-GO e as gestões locais, que são responsáveis pela execução da vacinação.
A estratégia inicial prioriza trabalhadores da saúde e profissionais da Atenção Primária, considerados grupo estratégico tanto pela exposição ao atendimento de pacientes quanto pelo papel na organização da resposta sanitária.
Ferramenta adicional em cenário epidemiológico preocupante
A introdução da Butantan-DV ocorre em meio a um cenário de elevada circulação viral. Goiás contabiliza 21.994 casos notificados de dengue, dos quais 10.145 foram confirmados. Há ainda 23 óbitos em investigação. Paralelamente, o Estado registra 1.100 casos confirmados de chikungunya e um óbito sob apuração, evidenciando a pressão simultânea das arboviroses transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.
A subsecretária de Vigilância em Saúde da SES-GO, Flúvia Amorim, ressalta que a vacinação integra um conjunto de medidas estruturantes. Segundo ela, o imunizante amplia a capacidade de prevenção de casos graves e óbitos, mas não substitui as ações de controle vetorial, monitoramento epidemiológico e mobilização comunitária.
Logística e organização municipal
A Gerência de Imunização da SES estruturou o plano operacional considerando o quantitativo de equipes de saúde em cada município. O envio das doses observará critérios técnicos, incluindo capacidade de armazenamento adequado, organização de salas de vacinação e registro no sistema de informação do Programa Nacional de Imunizações.
O planejamento contempla ainda capacitação de profissionais, definição de pontos estratégicos de aplicação e monitoramento de eventos adversos pós-vacinação, conforme protocolos do Ministério da Saúde.
Complemento às medidas de prevenção
Especialistas reiteram que, apesar do avanço representado por uma vacina de dose única com proteção tetravalente, o controle da dengue permanece dependente da eliminação de criadouros do mosquito transmissor. A manutenção de ambientes livres de água parada, a fiscalização de áreas urbanas e a participação ativa da população seguem como pilares da política de enfrentamento.
A chegada da Butantan-DV ao calendário estadual amplia o arsenal de saúde pública disponível contra a doença, mas sua efetividade dependerá da adesão dos públicos prioritários e da integração com estratégias contínuas de vigilância epidemiológica.
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