Goiânia reduz pontos provisórios de descarte e acelera transição para rede ampliada de ecopontos definitivos
Fechamento de áreas temporárias expõe fragilidades do modelo emergencial, enquanto Prefeitura anuncia expansão estrutural com 18 novos ecopontos e reforço na fiscalização ambiental

O sistema provisório de descarte de resíduos sólidos em Goiânia passa por uma inflexão estratégica. Com o encerramento do ponto temporário localizado no Parque Amazônia, na região sul da capital, o número de áreas emergenciais em funcionamento caiu de oito para seis. A descontinuidade, segundo a Agência Municipal do Meio Ambiente (Amma), decorre da impossibilidade de manter o uso de terrenos particulares e reforça a necessidade de substituição definitiva desses espaços por ecopontos estruturados, capazes de atender regiões inteiras com maior controle ambiental e operacional.
Criados em caráter excepcional, os pontos provisórios foram implantados para mitigar o descarte irregular em áreas historicamente afetadas pelo acúmulo de entulho, restos de poda, móveis inservíveis e resíduos de pequenos geradores. A medida respondeu a um cenário de degradação urbana e falhas de zeladoria, mas sempre esteve condicionada à transitoriedade. A própria Amma reconhece que esses espaços, embora tenham reduzido o despejo clandestino em curto prazo, não oferecem a infraestrutura necessária para uma política permanente de gestão de resíduos.
A retirada do ponto do Parque Amazônia reacendeu preocupações locais. Moradores e comerciantes relatam que a área funcionava como válvula de escape para o descarte regularizado e temem o retorno do lixo a terrenos baldios e vias públicas. Situação semelhante já havia sido registrada no Jardim Europa, onde outro ponto provisório foi encerrado por razões fundiárias. Em ambos os casos, a Prefeitura sustenta que a solução passa pela implantação de ecopontos fixos, com cercamento, controle de acesso, sinalização adequada e coleta sistemática.
Atualmente, Goiânia conta com seis pontos provisórios em operação e cinco ecopontos definitivos distribuídos pela cidade. Esses equipamentos permanentes recebem resíduos de pequenos volumes e operam sob regras específicas, o que contribui para reduzir impactos ambientais, riscos à saúde pública e custos de limpeza corretiva. Ainda assim, a capital convive com ao menos 32 áreas mapeadas como pontos irregulares de descarte — locais “viciados”, onde a prática persiste apesar das ações de fiscalização.
Diante desse diagnóstico, a Prefeitura anunciou a implantação de 18 novos ecopontos, ampliando significativamente a rede definitiva de descarte. A proposta, alinhada ao Plano Municipal de Gestão de Resíduos, prevê cobertura territorial mais equilibrada, com pontos de recebimento a cada cinco quilômetros, aproximando o serviço da população e reduzindo a justificativa para o descarte clandestino. Enquanto os processos licitatórios são estruturados, esses novos locais deverão funcionar inicialmente como pontos provisórios, já no traçado dos futuros ecopontos.
A estratégia municipal combina expansão da infraestrutura com endurecimento da fiscalização. A Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic) e a Guarda Civil Metropolitana (GCM) atuarão de forma integrada, utilizando videomonitoramento, inteligência de dados e vistorias presenciais para identificar infratores, mapear rotas recorrentes e coibir o transporte irregular de resíduos. A apreensão de veículos e a responsabilização dos autores do descarte ilegal passam a ser tratadas como medidas centrais para romper o ciclo de reincidência.
Além disso, os novos espaços contarão com placas informativas detalhando os materiais permitidos e proibidos, bem como orientações claras aos usuários. A manutenção e limpeza ficarão sob responsabilidade de órgãos de zeladoria, como a Comurg e a Seinfra, em parceria com empresas contratadas. O objetivo declarado da gestão é substituir soluções paliativas por uma política pública contínua, baseada em planejamento territorial, educação ambiental e controle rigoroso.
A redução dos pontos provisórios, embora gere apreensão em algumas regiões, sinaliza uma mudança de enfoque: menos improviso e mais estrutura. O desafio, a partir de agora, será garantir que a expansão dos ecopontos definitivos ocorra com rapidez suficiente para evitar o recrudescimento do descarte irregular e consolidar um modelo sustentável de gestão de resíduos em Goiânia.
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