Goiânia avança para novo modelo digital da Área Azul e prepara credenciamento amplo de empresas privadas
Prefeitura aposta em sistema totalmente digital, amplia número de vagas e abre mercado para múltiplos operadores, com foco em eficiência, fiscalização eletrônica e transparência

A Prefeitura de Goiânia avança na reformulação do sistema de estacionamento rotativo pago com a preparação de um novo aplicativo digital para a Área Azul e a abertura de um edital de credenciamento destinado a empresas privadas interessadas em operar a tecnologia do serviço. A iniciativa, conduzida pela Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito (SET), busca corrigir falhas operacionais do modelo atual e alinhar a política de mobilidade urbana da capital a padrões mais modernos de gestão, controle e fiscalização.
Segundo a administração municipal, o sistema hoje em vigor apresenta limitações recorrentes, como instabilidade do aplicativo, dificuldade de acesso por parte dos usuários e baixa eficiência no monitoramento das vagas. Diante desse cenário, a SET trabalha na implantação de uma plataforma totalmente digital, que concentrará o pagamento exclusivamente por aplicativos móveis, com acompanhamento em tempo real da ocupação das vagas e fiscalização automatizada, baseada em controle eletrônico contínuo.
O novo modelo foi anunciado como uma das prioridades do prefeito Sandro Mabel (UB), embora o prazo inicialmente previsto para a entrega do aplicativo não tenha sido cumprido. Ainda assim, a gestão sustenta que o projeto está em fase final de estruturação técnica e jurídica, com a expectativa de lançamento vinculada ao decreto já publicado que regulamenta a modernização do sistema.
Um dos pilares da mudança é o credenciamento aberto de empresas privadas para a operação tecnológica da Área Azul. Diferentemente de modelos restritivos, a Prefeitura não estabelecerá limite prévio de participantes, desde que as empresas comprovem capacidade técnica, experiência e condições reais de oferecer soluções estáveis e funcionais. A proposta, segundo a SET, é estimular a concorrência qualificada e evitar a concentração do serviço em um único operador, prática que já se mostrou problemática em outras experiências.
O decreto municipal publicado em novembro do ano passado também redefiniu a abrangência do estacionamento rotativo. O número de vagas saltou de aproximadamente 3,8 mil para cerca de 10 mil pontos regulamentados, alcançando regiões estratégicas da cidade, como Campinas, Setor Oeste, Marista, Bueno, Jardim Goiás, Universitário, além do Centro e da região da Rua 44. A ampliação busca organizar o uso do espaço urbano em áreas de alta demanda, reduzir a rotatividade irregular e melhorar a fluidez do tráfego.
No mesmo pacote de medidas, a tarifa da Área Azul foi reajustada após quase uma década de congelamento. O valor passou a ser de R$ 2,15 por hora e R$ 4,30 para duas horas de permanência. De acordo com a SET, o reajuste reflete os custos associados à incorporação de novas tecnologias, à ampliação da fiscalização eletrônica e à expansão territorial do sistema.
No desenho institucional previsto, a Prefeitura manterá sob sua responsabilidade a arrecadação dos créditos, a fiscalização e o monitoramento do serviço, enquanto as empresas credenciadas fornecerão os aplicativos e a infraestrutura tecnológica necessária. O objetivo, segundo a gestão, é garantir maior controle público sobre o sistema, ao mesmo tempo em que se transfere à iniciativa privada a execução operacional, desde que atendidos critérios rigorosos de desempenho e confiabilidade.
Paralelamente à reestruturação da Área Azul, a administração municipal também avalia outros formatos de estacionamento, incluindo modelos verticais e políticas de incentivo à iniciativa privada para ampliar a oferta de vagas fora do espaço público. A estratégia integra uma visão mais ampla de mobilidade urbana, que busca conciliar ordenamento viário, estímulo à atividade econômica e melhoria da experiência de motoristas e pedestres.
Com a modernização do estacionamento rotativo, a Prefeitura de Goiânia pretende não apenas resolver problemas históricos do sistema, mas também estabelecer um novo padrão de gestão urbana, baseado em tecnologia, transparência e maior eficiência no uso do espaço público.
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