Gestão de semáforos pode pressionar tarifa do transporte coletivo na Grande Goiânia, aponta consórcio de ônibus
RedeMob afirma que custos de R$ 123,7 milhões com sistema semafórico poderiam elevar tarifa técnica em R$ 0,45; debate envolve poder público e estrutura de financiamento do transporte metropolitano.

O modelo de financiamento do transporte coletivo na Região Metropolitana de Goiânia voltou ao centro do debate após o RedeMob Consórcio, responsável pela operação do sistema de ônibus, indicar que os custos associados à gestão do parque semafórico da capital podem pressionar a tarifa técnica do serviço. Segundo nota técnica apresentada pelo consórcio, a incorporação das despesas relacionadas à operação e manutenção dos semáforos poderia resultar em um acréscimo de aproximadamente R$ 0,45 no cálculo tarifário.
O documento foi encaminhado para análise da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos, entidade responsável pela gestão e fiscalização do transporte público na Região Metropolitana de Goiânia. A proposta decorre de um acordo de cooperação técnica firmado em 2025 entre o consórcio e a Prefeitura de Goiânia, que transferiu à iniciativa privada parte das responsabilidades relacionadas ao gerenciamento do sistema semafórico urbano.
De acordo com os cálculos apresentados pelo consórcio, o conjunto de investimentos e despesas previstas para implantação e manutenção da estrutura de controle de tráfego chega a cerca de R$ 123,7 milhões. O valor inclui custos com equipamentos, engenharia de tráfego, manutenção do parque semafórico e implementação de sistemas tecnológicos de gestão.
O impacto estimado foi obtido a partir da divisão do montante projetado pelo número médio de passageiros transportados mensalmente pelo sistema em 2025, multiplicado pelo período considerado para diluição do custo no cálculo tarifário. Esse procedimento faz parte da metodologia usada para definir a chamada tarifa técnica — indicador econômico que representa o custo real do sistema de transporte.
Atualmente, a tarifa técnica do transporte coletivo na Região Metropolitana gira em torno de R$ 12,51. Esse valor não corresponde integralmente ao que é pago diretamente pelo usuário. A diferença entre a tarifa técnica e a tarifa pública — atualmente fixada em R$ 4,30 — é coberta por subsídios financiados pelo Governo de Goiás e pelas prefeituras de municípios integrantes da rede metropolitana, entre eles Aparecida de Goiânia, Trindade, Senador Canedo e Goianira.
Antes da assinatura do acordo de cooperação técnica, a responsabilidade pela manutenção e atualização do sistema semafórico era atribuída à Secretaria Municipal de Engenharia de Trânsito. Com o novo arranjo institucional, o consórcio passou a assumir a gestão do serviço com o objetivo de integrar a operação semafórica ao planejamento do transporte coletivo, especialmente nos corredores de ônibus.
A implementação do novo modelo permitiu ao consórcio contratar diretamente empresas especializadas em tecnologia de tráfego, sem a necessidade de licitação pública, característica típica de contratos firmados por operadores privados. Entre as empresas envolvidas está a Dataprom Equipamentos e Serviços de Informática, companhia sediada em Curitiba e reconhecida no setor de sistemas de mobilidade urbana.
Segundo o RedeMob, o acordo inicial tratava principalmente da realização de estudos técnicos, diagnósticos de engenharia e planejamento de soluções voltadas à modernização do sistema semafórico. A etapa atual, conforme a entidade, refere-se à implementação prática das soluções identificadas, o que implicaria novos investimentos operacionais.
A discussão ocorre no âmbito da Câmara Deliberativa do Transporte Coletivo, órgão responsável por definir diretrizes estratégicas para o transporte público metropolitano. O colegiado autorizou, em reunião realizada no final de 2025, que o consórcio apresentasse os elementos técnicos, operacionais e financeiros necessários para avaliação de eventual revisão da tarifa técnica.
Integrantes da câmara deliberativa afirmam que o projeto analisado atualmente ultrapassa a simples manutenção de semáforos e envolve um conjunto mais amplo de intervenções voltadas à mobilidade urbana, incluindo possíveis obras de infraestrutura em corredores de transporte coletivo. Essas intervenções, no entanto, ainda dependem de avaliação técnica individual antes de eventual aprovação.
Especialistas em mobilidade urbana apontam que a discussão reflete um desafio estrutural enfrentado por grandes sistemas de transporte público: a definição de quais custos devem ser incorporados ao cálculo tarifário e quais devem ser assumidos diretamente pelo poder público como parte da política de mobilidade urbana.
Enquanto a análise técnica segue em curso, a proposta apresentada pelo consórcio deverá ser examinada pelos órgãos gestores do sistema antes de qualquer decisão sobre eventual impacto no financiamento do transporte coletivo da região metropolitana.
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