Furto de “pedra de fel” expõe mercado milionário e leva à prisão de funcionários em frigorífico de Mineiros
Item raro extraído de bovinos, com alto valor no mercado nacional e internacional, motivou crime dentro de unidade industrial no sudoeste goiano

A prisão de dois funcionários de um frigorífico em Mineiros revelou um tipo de crime pouco comum, mas altamente lucrativo: o furto de pedra de fel bovina — substância rara formada por cálculos biliares na vesícula de animais e valorizada em mercados específicos, sobretudo no exterior.
Os suspeitos, de 36 e 37 anos, foram detidos em flagrante após a direção da unidade identificar irregularidades por meio do sistema de monitoramento interno. As imagens indicaram a subtração do material durante o processo de abate, o que levou à imediata comunicação à Polícia Militar, responsável pela condução da ocorrência.
De acordo com o delegado responsável pela investigação, um dos envolvidos admitiu a prática, atribuindo o crime à motivação financeira. A estratégia, segundo relato à polícia, envolvia ocultar o material para posterior comercialização fora do ambiente industrial.
A pedra de fel apreendida pesava 1,79 grama e foi avaliada em aproximadamente R$ 700, considerando parâmetros do mercado interno. No entanto, o valor desse tipo de produto pode variar significativamente. No Brasil, a cotação oscila entre R$ 12 e R$ 300 por grama, a depender de fatores como coloração, integridade e composição química. Em mercados asiáticos, especialmente na China, onde há demanda para uso em práticas medicinais tradicionais, o preço pode ultrapassar US$ 60 por grama.
A raridade do material — encontrado apenas em uma pequena parcela dos bovinos abatidos — contribui para sua valorização e para o interesse clandestino. Esse contexto transforma a pedra de fel em um produto de alto risco dentro da cadeia produtiva da carne, exigindo controles rigorosos por parte das empresas do setor.
Após a audiência de custódia, os investigados foram liberados, mas seguem respondendo por furto qualificado, com agravantes de abuso de confiança e atuação em conjunto. As identidades não foram divulgadas, e a defesa não foi localizada até o momento.
O caso evidencia uma dimensão paralela da indústria frigorífica, onde subprodutos pouco conhecidos podem alcançar valores expressivos e atrair práticas ilícitas. Além do prejuízo financeiro, episódios desse tipo acendem alertas sobre a necessidade de reforço em protocolos de segurança e rastreabilidade dentro das unidades de processamento.
Tags: #MineirosGO, #PolíciaMilitar, #Furto, #PedraDeFel, #Frigorífico, #Crime, #Goiás, #Investigação

