Fiscalização em Anápolis apreende garrafas de “cachaça de maconha” durante operação contra bebidas adulteradas
Distribuidora é autuada por Procon local após agente flagrar folhas de cannabis dentro de garrafas; ação integra força-tarefa estadual contra metanol e adulterações
Uma operação de fiscalização integrada deflagrada nesta quinta-feira (9) pelo Procon Anápolis, em parceria com as polícias Civil, Militar e Técnico-Científica, descobriu maconha lacrada dentro de garrafas de cachaça em distribuidores da cidade. O flagrante fez parte da ação voltada ao combate às bebidas falsas ou adulteradas, dentro do contexto da Força‐Tarefa Metanol montada pelo governo estadual em resposta à crise nacional de intoxicações por metanol.
Segundo o presidente do Procon local, Longuimar José, os fiscais vistoriaram diversos estabelecimentos ao longo da Avenida Pedro Ludovico e identificaram irregularidades como produtos vencidos, mercadorias sem procedência e indícios de adulteração. Em um caso emblemático, uma garrafa PET de cachaça trazia dentro partes de folhas — posteriormente identificadas como maconha. O estabelecimento foi embargado e os materiais recolhidos foram encaminhados à perícia oficial.
A operação também vistoriou outros seis pontos comerciais, resultando em autuações por ausência de documentação, falta de selagem adequada, rótulos suspeitos e prazos de validade expirados. Nenhum responsável foi preso no momento, segundo informações do Procon.
Integração com operação estadual contra o metanol
A ação em Anápolis integra o esforço mais amplo do Estado de Goiás na fiscalização de bebidas destiladas durante a crise que acomete o país — casos recentes de consumo de bebidas adulteradas com metanol provocaram mortes e internações. Na capital e região metropolitana, a força-tarefa já inspecionou 30 estabelecimentos e coletou 1.087 amostras de bebidas para análise, com 43% dos locais autuados.
Até agora, Goiás registrou cinco notificações suspeitas de intoxicação por metanol. Destas, dois casos foram descartados, um confirmado como não relacionado e três seguem em investigação (municípios de Itapaci, Formosa e Padre Bernardo).
Também no âmbito do combate à adulteração, 19 estabelecimentos já foram autuados em cidades como Goiânia, Aparecida, Senador Canedo e Trindade. As infrações envolvem venda de bebidas vencidas, falta de selos do Ministério da Agricultura (MAPA) e produção irregular sem nota fiscal.
Riscos e implicações legais
A descoberta de drogas dentro de bebidas alcoólicas configura infração grave sob diversas esferas. Além de violação sanitária, a prática pode caracterizar crime previsto no Código Penal e infrações previsto no Código de Defesa do Consumidor e na legislação estadual. A adulteração com substâncias tóxicas como o metanol é tratada como risco à saúde pública, com penalidades que podem incluir multa, apreensão e até prisão, dependendo das consequências para as vítimas.
O Procon Goiás, como parte da força-tarefa estadual, já emitiu cinco advertências e participou de ações coordenadas com órgãos como Vigilância Sanitária, Polícia Civil e Segurança Pública.
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