Falhas de integração expõem fragilidades na gestão do Imas e pressionam equilíbrio financeiro do instituto
Ausência de interoperabilidade com sistemas da Prefeitura de Goiânia mantém brechas operacionais, amplia riscos administrativos e adia soluções estruturais defendidas por órgãos de controle

A ausência de integração entre os sistemas do Instituto de Assistência à Saúde e Social dos Servidores Municipais (Imas) e as plataformas administrativas da Prefeitura de Goiânia permanece como um dos principais pontos de vulnerabilidade na gestão do plano de saúde dos servidores. Relatórios técnicos e deliberações do Conselho Fiscal apontam que a falta de interoperabilidade compromete a confiabilidade dos dados, dificulta o controle de beneficiários e produz impactos diretos na arrecadação e na sustentabilidade financeira da autarquia.
O diagnóstico foi reiterado em reunião realizada em outubro de 2025, quando conselheiros destacaram inconsistências recorrentes, como a manutenção de beneficiários sem contribuição ativa, falhas no bloqueio e cancelamento tempestivo de planos e atrasos na atualização cadastral. Segundo a administração municipal, a integração sistêmica segue em fase de estudo, sem cronograma público para implementação.
O tema não é novo na agenda do instituto. Em janeiro de 2025, durante reunião do Conselho de Assistência à Saúde e Social (Conas), a então presidência do Imas informou que a Secretaria Municipal de Inovação e Transformação Digital (SIT) assumiria a gestão dos dados, substituindo o software da empresa Asert Serviços e Tecnologia da Informação Ltda., com projeção de economia mensal de R$ 80 mil. Contudo, semanas depois, o Diário Oficial do Município publicou dispensa de licitação para contratação da mesma empresa por seis meses, ao custo de R$ 577,3 mil, sob a justificativa de garantir a continuidade dos serviços essenciais de manutenção e suporte do sistema de gestão.
Dados do Portal da Transparência indicam que a Asert presta serviços ao Imas desde ao menos 2015, tendo recebido R$ 945,6 mil apenas no último ano. Nos bastidores, a avaliação técnica é de que a substituição do sistema enfrenta obstáculos práticos: a dependência histórica do software, a incompatibilidade de linguagens de programação com o Sistema Integrado de Gestão Pública (Sigep) da Prefeitura e a resistência das empresas em compartilhar bases de dados.
Para o Conselho Fiscal, a solução passa por atualização completa do banco de dados e integração em tempo real com o Sigep. A medida permitiria corrigir distorções como: servidores cedidos ou redistribuídos que passam a gerar nova matrícula sem recolhimento ao Imas; beneficiários afastados pelo INSS que continuam utilizando o plano sem desconto; aposentados e pensionistas com uso do benefício sem previsão legal clara; e dependentes de servidores falecidos mantidos no sistema sem contrapartida financeira. Também reduziria prejuízos causados pela ausência de bloqueio imediato após solicitação de cancelamento e por altas hospitalares não processadas, que mantêm matrículas indevidamente vinculadas a internações.
Em ata, o Conselho recomendou a abertura de processo para recadastramento geral (censo), de modo a alinhar as informações operacionais ao sistema atualmente responsável pela cobrança de mensalidades e coparticipações, reconhecendo que o banco de dados não está atualizado nem sincronizado com as últimas alterações funcionais dos servidores.
Questionado, o Imas informou que a permanência de beneficiários vinculados a servidores falecidos observa a Resolução nº 002/2006, sem detalhar os critérios. A autarquia afirmou ainda que servidores cedidos devem comunicar formalmente a mudança para manter a cobrança regular; caso contrário, ocorre bloqueio por inadimplência e exclusão após 90 dias. Sobre cancelamentos, esclareceu que o procedimento é feito na matrícula do titular, cabendo a ele informar dependentes e agregados. Quanto às altas hospitalares, o instituto atribui a responsabilidade aos prestadores, aplicando sanções administrativas quando detectadas irregularidades.
Outros pontos debatidos na reunião incluem a notificação individualizada de inadimplentes, mecanismos de parcelamento de pendências, acesso ao Sistema de Verificação de Óbitos (SVO) e a necessidade de reforçar, contratualmente, a obrigação de aviso prévio de 30 dias por parte de prestadores que pretendam suspender atendimentos. Também foi discutido o sistema de cotas, com alerta para práticas abusivas que podem restringir indevidamente o acesso dos usuários.
Em nota, o Imas reiterou que monitora prestadores, instaura processos quando há indícios de má-fé e mantém canais eletrônicos para consulta de débitos e notificações. Ainda assim, conselheiros e especialistas avaliam que sem integração sistêmica efetiva, o instituto continuará operando com riscos estruturais, dependente de controles manuais e sujeito a perdas financeiras evitáveis.
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