Esquema estruturado de desvio de diesel em posto credenciado leva à prisão de sete, em Goiânia
Investigação aponta uso sistemático de cartões corporativos da Seinfra para abastecimentos fictícios e revenda clandestina; prejuízo estimado ultrapassa meio milhão de reais em poucos dias

Uma operação articulada entre inteligência policial e administração municipal desarticulou, nesta sexta-feira (10), um esquema sofisticado de desvio e comercialização ilegal de combustível em Goiânia, com ramificações dentro de contratos públicos da Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana (Seinfra). Sete pessoas foram presas em flagrante, entre servidores, funcionários terceirizados e operadores privados, evidenciando um modelo estruturado de fraude com recursos públicos.
A apuração teve origem em denúncia encaminhada ao gabinete da vice-prefeita, Coronel Cláudia Lira, o que acionou protocolos internos de verificação e levou ao envolvimento do setor de inteligência do Grupamento de Intervenção Rápida Ostensiva (Giro), da Polícia Militar. A ação culminou na abordagem de um caminhão vinculado à Seinfra em um posto de combustíveis credenciado, situado na Avenida Perimetral Norte, no setor Vila Regina.
No veículo, foi identificado um tanque com capacidade para mil litros de diesel, abastecido mediante uso de cartão corporativo institucional — instrumento destinado exclusivamente à execução de serviços públicos. As evidências indicam que o volume abastecido não correspondia à demanda operacional do veículo, configurando desvio de finalidade e potencial fraude contra a administração pública.
De acordo com os elementos colhidos no flagrante, o esquema operava com divisão de funções e regularidade operacional. Motoristas realizavam abastecimentos em volumes elevados, em turnos alternados, enquanto um frentista facilitava a liberação irregular do combustível, supostamente mediante pagamento de vantagem indevida. A coordenação logística, segundo relatos prestados à autoridade policial, seria exercida por um empresário vinculado à prestação de serviços à própria Seinfra.
O combustível desviado era inserido em um circuito paralelo de comercialização, sendo revendido a aproximadamente R$ 4 por litro — valor abaixo do mercado — por meio de transações em dinheiro e transferências instantâneas, como Pix. A prática indica não apenas apropriação indevida de insumo público, mas também possível concorrência desleal e impacto indireto no mercado formal de combustíveis.
Além dos três motoristas servidores públicos, foram autuados o frentista envolvido, o proprietário da empresa terceirizada e dois funcionários ligados à operação logística. Todos permanecem custodiados na Central de Flagrantes, à disposição da Polícia Civil, que conduz investigação aprofundada para identificar a extensão do esquema, rastrear fluxos financeiros e verificar eventual participação de outros agentes públicos ou privados.
Documentos e comprovantes de abastecimentos realizados em diferentes postos credenciados foram apreendidos, reforçando a hipótese de que a fraude não se restringia a um único ponto de operação. A análise desses registros será fundamental para mensurar o dano ao erário e reconstruir o padrão de execução do esquema.
Estimativas preliminares indicam prejuízo superior a R$ 500 mil em um curto intervalo operacional, considerando múltiplos abastecimentos com volumes expressivos. O caso pode enquadrar os envolvidos em crimes como peculato, associação criminosa e fraude em contrato administrativo, além de possíveis infrações à legislação de combustíveis.
Paralelamente à investigação criminal, a Prefeitura de Goiânia instaurou procedimento administrativo disciplinar, com previsão de demissão dos servidores efetivos envolvidos, caso sejam confirmadas as irregularidades. O município também avalia a revisão dos protocolos de controle de abastecimento, incluindo auditorias em contratos e mecanismos de rastreabilidade mais rigorosos.
O episódio expõe fragilidades nos sistemas de controle de insumos estratégicos na administração pública e reforça a necessidade de governança mais robusta, com integração entre fiscalização interna e inteligência policial para prevenção de desvios estruturados.
Tags: #Goiânia, #PolíciaCivil, #PolíciaMilitar, #Seinfra, #Corrupção, #DesvioDeRecursos, #Combustível, #FraudeAdministrativa, #Peculato, #Investigação, #SegurançaPública, #GestãoPública, #CrimeOrganizado

