Esquema de venda de vagas no SUS é alvo de megaoperação com 52 mandados, em Goiás
Investigação aponta manipulação de filas e cobrança de propina para acesso irregular a procedimentos públicos de saúde em ao menos dez municípios

Uma ofensiva coordenada da Polícia Civil do Estado de Goiás expôs um sofisticado esquema de corrupção que atuava na comercialização ilegal de vagas no Sistema Único de Saúde. A operação, conduzida pela Delegacia Estadual de Combate à Corrupção (Deccor), cumpriu 52 medidas judiciais com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de manipular o sistema de regulação de atendimentos e procedimentos médicos.
As diligências ocorreram em municípios estratégicos como Goiânia, Aparecida de Goiânia, Senador Canedo, Catalão e Goianira, além de outras cidades do interior, evidenciando a capilaridade do esquema. Entre as ordens judiciais, estão seis mandados de prisão preventiva, 17 de busca e apreensão, afastamento cautelar de cinco servidores públicos e 24 determinações de quebra de sigilo bancário e fiscal — medidas típicas de investigações com forte componente de rastreamento financeiro.
Segundo as apurações, os investigados atuavam na inserção fraudulenta de pacientes no sistema de regulação, alterando a ordem cronológica e critérios técnicos de prioridade para beneficiar indivíduos que pagavam propina. Esse tipo de intervenção compromete diretamente o princípio da equidade do SUS, ao deslocar pacientes que aguardavam regularmente por consultas, exames e procedimentos de média e alta complexidade.
Do ponto de vista jurídico, a conduta apurada se enquadra em um conjunto de crimes contra a administração pública e a fé pública, incluindo corrupção passiva e ativa, falsidade ideológica, inserção de dados falsos em sistemas de informação e associação criminosa. A materialidade desses delitos costuma ser sustentada por provas documentais, rastreamento de transações financeiras e análise de registros eletrônicos dos sistemas de regulação.
A operação representa mais um desdobramento da chamada Operação Hipócrates, iniciada anteriormente e que já havia identificado práticas semelhantes no estado, indicando possível recorrência estrutural desse tipo de fraude no acesso à saúde pública. A continuidade investigativa sugere um esforço institucional de aprofundamento no combate à corrupção sistêmica no setor.
Em posicionamento oficial, a Secretaria de Estado da Saúde de Goiás informou que colaborou com as investigações e destacou que as irregularidades foram inicialmente detectadas por mecanismos internos de inteligência e controle. A pasta também ressaltou que, até o momento, não há indícios de envolvimento direto de servidores da regulação estadual.
A ação reforça a importância de mecanismos de governança, auditoria e transparência nos sistemas públicos de saúde, especialmente em áreas sensíveis como a regulação de vagas, onde decisões técnicas impactam diretamente o acesso da população a serviços essenciais.
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