Deputada Bia de Lima denuncia Amauri Ribeiro por insultos e ameaça de agressão
Sessão plenária é suspensa após deputado chamar colega de “papa-anjo” e acusá-la de “apologia à pedofilia”; caso será analisado pelo Conselho de Ética.
Um episódio que expôs o lado mais obscuro da política goiana marcou a sessão ordinária desta quarta-feira (21/5) na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego). Em plena tribuna, o deputado estadual Amauri Ribeiro (União Brasil) atacou publicamente a deputada Bia de Lima (PT) com insinuações de cunho sexual, chamando-a de “papa-anjo” e insinuando que ela “gosta de novinho” — termos que, segundo o próprio parlamentar, estariam associados à pedofilia.
As declarações inflamaram os ânimos no plenário. Mesmo após apelo do deputado Clécio Alves (Republicanos), que presidia os trabalhos e tentou intervir para manter a ordem, Amauri reiterou os ataques, ignorando o protocolo da Casa. Diante da insistência, a sessão foi suspensa.
Nos bastidores, o ambiente ficou ainda mais tenso. Parlamentares trocaram acusações acaloradas e, segundo testemunhas, o confronto quase evoluiu para agressões físicas. A segurança da Casa precisou ser acionada às pressas para evitar maiores consequências.
Violência política e misoginia institucionalizada
A deputada Bia de Lima classificou os ataques como violência política de gênero e buscou imediatamente respaldo institucional. “Fui constrangida, humilhada e ameaçada. O que ocorreu nesta Casa é inaceitável em qualquer ambiente democrático”, afirmou a parlamentar. Em seguida, Bia protocolou uma representação formal na Comissão de Ética da Alego, solicitando a abertura de processo disciplinar contra Amauri Ribeiro, além de advertência formal e pública.
Ela também denunciou que precisou de escolta da Polícia Legislativa até seu gabinete, pois se sentiu ameaçada com a possibilidade de ser agredida fisicamente pelo deputado, que teria se aproximado de forma hostil após a suspensão da sessão. “Tive medo real pela minha integridade. Isso ultrapassa o campo político. É puro ódio contra mulheres que ocupam o espaço público”, declarou.
Resposta do acusado e tentativa de inversão narrativa
Em um movimento interpretado como tentativa de desviar o foco das acusações, o deputado Amauri Ribeiro reagiu com uma contra-representação, alegando que também teria sido ofendido por Bia, que o teria chamado de “chapeludo” e questionado sua masculinidade. Ele prometeu denunciá-la também à Comissão da Criança e do Adolescente e à Comissão de Educação, alegando que ela fez apologia à pedofilia.
Segundo juristas ouvidos pelo Portal G5 News e pela Tribuna do Planalto, as acusações de Amauri não têm lastro jurídico, uma vez que a entrevista mencionada pela deputada Bia, em tom informal, em que diz gostar de homens mais jovens, não configura, sob nenhum aspecto, apologia a crime. O uso do termo “novinho”, segundo os especialistas, é comum no vocabulário cotidiano e não tem, isoladamente, qualquer conotação criminal.
Apoio institucional e pressão por providências
A postura do deputado foi duramente criticada por entidades sindicais, movimentos feministas e pela bancada de oposição. A Central Única dos Trabalhadores (CUT-GO), o Sintego (Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás) e o Adufg (Sindicato dos Docentes das Universidades Federais de Goiás) publicaram notas exigindo a responsabilização de Amauri por incitação ao ódio e desrespeito ao decoro parlamentar.
O presidente da Alego, Bruno Peixoto (UB), declarou que o Conselho de Ética irá apurar o caso com rigor e que a Casa “não será cúmplice de discursos de ódio ou atentados à dignidade parlamentar”. Ele ainda afirmou que a TV Alego, responsável pela transmissão das sessões, passará a cortar o áudio de parlamentares que proferirem ataques pessoais, como forma de conter excessos no plenário.
Reincidência e histórico de polêmicas
Esta não é a primeira vez que Amauri Ribeiro se envolve em episódios polêmicos na Alego. Conhecido por declarações consideradas ofensivas, o deputado já foi alvo de outras reclamações por posturas agressivas e machistas, o que reforça a pressão para que, desta vez, não haja impunidade.
O Conselho de Ética da Alego agora tem a responsabilidade de decidir se abre processo disciplinar formal. O caso pode evoluir para punições que vão desde advertência até a suspensão temporária ou cassação de mandato, dependendo da gravidade reconhecida pela comissão.
Nota de Amauri Ribeiro
O debate com a deputada Bia de Lima (PT) teve início na terça-feira (20/05), após ela ser informada de que o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) havia arquivado, por seis votos a um, mais uma denúncia infundada apresentada contra mim. Esta foi a quarta tentativa de deputados do PT de me calar, todas rejeitadas pela Justiça.
Inconformada com a decisão, a deputada afirmou em plenário, em alto e bom som, que “ia ter troco”.
Na sessão desta quarta-feira (21/05), enquanto exercia a função de secretário da Mesa Diretora, fui interrompido e provocado pela parlamentar.
Quando respondi a deputada em questão, citando uma entrevista concedida por ela à Rádio Sucesso, na qual declarou gostar de “novinhos” e que a apresentadora do programa — e não este deputado — a chamou de “papa-anjo”, termo de conotação negativa, frequentemente associado à pedofilia, ela começou a tumultuar a sessão, que precisou ser encerrada.
Reafirmo meu respeito às mulheres, à democracia e à verdade. Não aceitarei intimidações nem permitirei que distorções invertam os fatos. Confio na Justiça e seguirei atuando com responsabilidade, firmeza e transparência no exercício do meu mandato.
Atualização em andamento. Aguarde para novos desdobramentos do caso.
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