Crise na Maternidade Célia Câmara expõe tensão entre médicos e gestão após atrasos salariais
Assembleia convocada pelo Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás discute indicativo de greve; direção confirma débito pontual, enquanto Secretaria Municipal de Saúde nega pendências com organizações sociais

Médicos da Maternidade Célia Câmara participam de assembleia virtual para deliberar sobre indicativo de greve diante de denúncias de atraso no pagamento de honorários e de precarização das condições de trabalho. A convocação partiu do Sindicato dos Médicos no Estado de Goiás (Simego), que aponta insatisfação crescente entre os profissionais da unidade.
A maternidade é administrada pela Sociedade Beneficente São José desde agosto do ano passado, após contratação formalizada pela Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia. O contrato de gestão foi recentemente prorrogado por mais seis meses, mantendo o modelo de administração por organização social — formato adotado pelo município para a condução das maternidades públicas.
Em posicionamento oficial, a Secretaria Municipal de Saúde sustenta que os repasses financeiros às entidades gestoras estão sendo efetuados dentro dos prazos contratuais e que não há valores pendentes junto às organizações sociais responsáveis pelas unidades. A pasta afirma ainda que acompanha indicadores assistenciais e operacionais das três maternidades municipais, com monitoramento contínuo da qualidade e da oferta de serviços.
A direção da Maternidade Célia Câmara reconhece a existência de um pagamento em atraso destinado aos médicos, classificando-o como pontual, e informa que a regularização está prevista para ocorrer imediatamente. Segundo a administração, não houve interrupção nos atendimentos e o diálogo com o corpo clínico permanece aberto.
O debate instaurado revela tensão estrutural entre financiamento público, gestão terceirizada e garantias trabalhistas. A eventual paralisação dependerá da deliberação coletiva dos profissionais na assembleia, que deverá definir encaminhamentos formais. Até o momento, os serviços seguem mantidos, mas o cenário evidencia fragilidades na governança contratual e na previsibilidade financeira da assistência obstétrica municipal.
Nota da SMS
“A Secretaria Municipal de Saúde de Goiânia (SMS) informa que os pagamentos às organizações sociais gestoras das maternidades municipais foram realizados rigorosamente dentro do prazo acordado e que não possui valores em aberto com as instituições.
A pasta monitora a disponibilidade e qualidade da assistência oferecida nas três maternidades.”
Nota Maternidade Célia Câmara
“A Maternidade Célia Câmara informa que tem conhecimento da convocação de assembleia pelo Simego e mantém diálogo aberto e permanente com o corpo clínico e demais profissionais.
Eventuais questões administrativas e financeiras estão sendo tratadas junto aos órgãos competentes, e a instituição segue empenhada na busca de soluções responsáveis e transparentes, sempre priorizando a continuidade e a qualidade da assistência às gestantes, puérperas e recém-nascidos atendidos na unidade.
Em relação às questões apontadas, esclarecemos que há um pagamento por parte da OS em atraso referente aos médicos, cuja quitação está programada para a próxima segunda-feira.
Reforçamos que a Maternidade permanece com seus atendimentos mantidos e não houve, até o momento, qualquer interrupção dos serviços prestados à população.
Temos certeza que a situação será contornada sem prejuízos à população.”
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