Conselho de Ética é acionado após novo confronto entre Aava e Novandir na Câmara de Goiânia
Após representação no Conselho de Ética, vereadores voltam a trocar ataques; presidente cobra “decência” e alerta para desgaste institucional

A Câmara Municipal de Goiânia viveu mais um episódio de tensão nesta quinta-feira (11), quando os vereadores Aava Santiago (PSDB) e Sargento Novandir (MDB) protagonizaram um novo embate verbal em plenário. O episódio ocorreu dois dias após a tucana protocolar representação no Conselho de Ética contra o emedebista, por suposta prática de violência política de gênero e quebra de decoro parlamentar.
A sessão, que deveria tratar de matérias administrativas, foi marcada por acusações mútuas, intervenções da mesa diretora e manifestações de repúdio de outros parlamentares. O presidente da Casa, Romário Policarpo (PRD), precisou intervir para conter a escalada da discussão, cobrando “decência” e alertando que a imagem do Legislativo “tem sido diariamente manchada por conflitos pessoais em detrimento da produção legislativa”.
Acusações e contra-acusações
Novandir usou a tribuna para negar que tenha ofendido Aava, acusando-a de tentar “lacrar por meio de escândalos e posturas inadequadas” e de fazer “politicagem”. O vereador anunciou ainda que ingressará com uma representação contra a colega no Conselho de Ética.
Aava reagiu de forma dura, afirmando que o adversário “não possui condições morais e intelectuais” para enfrentá-la em debates políticos. Segundo a tucana, o colega “transforma a Câmara em um picadeiro deplorável” e recorre a ataques pessoais quando contrariado.
O clima voltou a se acirrar quando Novandir chamou a parlamentar de “desequilibrada” e responsável por “manchar a imagem da Câmara 24 horas por dia”. O bate-boca só cessou quando a presidência transferiu a palavra a outros vereadores.
Solidariedade e repercussão
A postura de Novandir foi alvo de críticas de parlamentares de diferentes partidos. Edward Madureira, Fabrício Rosa e Kátia Maria (PT), Denício Trindade (UB), Michel Magul (PSDB) e Luan Alves (MDB) manifestaram solidariedade a Aava, repudiando as declarações do emedebista e defendendo maior rigor na apuração da denúncia.
O processo no Conselho de Ética
Na representação apresentada na terça-feira (9), Aava Santiago relatou episódios de intimidação e coerção, incluindo uma situação em que o vereador teria se aproximado dela de forma invasiva, “a ponto de quase tocá-la fisicamente”, exigindo que ela gesticulasse para que ele se afastasse.
O documento pede que o Conselho de Ética investigue a conduta de Novandir, com possibilidade de punições que vão da suspensão temporária até a cassação do mandato, caso seja configurada a quebra de decoro parlamentar.
Um histórico de confrontos
A rivalidade entre os dois vereadores se intensificou nos últimos meses. Em sessão anterior, Novandir levou diretoras de escolas ao plenário sob o argumento de que seria votada uma proposta sobre contratos temporários de professores — o que não constava na pauta. Aava classificou a ação como “desrespeitosa” e foi chamada de “oportunista política”. As provocações seguiram no plenário e em grupos de mensagens da Câmara, segundo relatos da vereadora.
Imagem da Câmara em xeque?
Ao intervir na sessão, o presidente Romário Policarpo reforçou que a sequência de episódios compromete a credibilidade do Legislativo. “A Câmara tem dado péssimo exemplo. Nossa atuação não pode ser lembrada apenas por discussões e desentendimentos pessoais. Isso corrói a confiança da população”, disse policarpo.
O Conselho de Ética deve analisar a representação nos próximos dias, em um processo que promete aprofundar o desgaste entre os dois parlamentares e testar os limites da tolerância política no Legislativo goianiense.
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