23 de janeiro de 2026
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Camelôs devem deixar ruas da 44 até 30 de março, mas resistência cresce diante de incertezas

Prefeitura oferece realocação em feiras e galerias comerciais, mas ambulantes alegam falta de movimento e riscos financeiros; impasse mobiliza Câmara Municipal.
Sandro Mabel estabeleceu prazo até o dia 30 de março para a retirada dos ambulantes da Região da 44 (Wildes Barbosa / O Popular)

Os camelôs que atuam na região da Rua 44, um dos maiores polos de comércio popular de Goiânia, têm até o dia 30 de março para deixar as calçadas e vias públicas, conforme determinação da Prefeitura de Goiânia. A proposta do município prevê a realocação desses trabalhadores em lojas vazias dentro de galerias comerciais e na Feira Hippie, além da oferta de aluguel subsidiado. No entanto, a medida enfrenta forte resistência por parte da categoria, que denuncia a falta de viabilidade econômica das alternativas sugeridas.

Readequação ou esvaziamento? O impasse sobre as lojas em galerias

A Associação dos Camelôs de Goiânia contesta o plano municipal, argumentando que muitas dessas galerias estão desocupadas justamente por registrarem baixo fluxo de clientes.

“Os lojistas estão entregando seus pontos porque não há movimento suficiente. Se eles, que já pagam aluguel, não conseguem se manter, como querem que a gente sustente um espaço sem clientela?”, questiona Ana Paula de Oliveira, presidente da associação.

Apesar da resistência, a prefeitura defende que os camelôs terão isenção progressiva no aluguel, arcando apenas com taxas de condomínio. Ainda assim, os ambulantes temem que a mudança prejudique sua fonte de renda, já que parte significativa das vendas ocorre no contato direto com os clientes nas ruas movimentadas da 44.

“Nós movimentamos o comércio”

A presidente da associação rebate também a ideia de que os ambulantes prejudicam os lojistas.

“Eles reclamam, mas não somos nós que atrapalhamos o comércio. Pelo contrário, trazemos clientes para eles. Sem os camelôs, muitos estabelecimentos sentirão o impacto na movimentação”, afirma Oliveira.

A representante da categoria destaca que a retirada dos ambulantes pode gerar um efeito cascata, afetando não apenas os trabalhadores informais, mas também fornecedores e fabricantes que dependem dessa engrenagem comercial.

Câmara Municipal entra no debate

Diante do impasse, a Câmara Municipal de Goiânia realizou uma audiência pública, convocada pelo vereador Heyler Leão (PP), para discutir a realocação dos camelôs. O encontro reuniu representantes da prefeitura, da Guarda Civil Metropolitana, da Polícia Militar e comerciantes de rua.

Ao final da audiência, foi determinada a criação de uma comissão temporária para estudar novas soluções. No entanto, com o prazo final se aproximando, a categoria segue sem garantias de que suas reivindicações serão atendidas.

Prefeitura sustenta legalidade da remoção

Para a administração municipal, a retirada dos ambulantes é uma questão de cumprimento da legislação. O secretário de Gestão de Negócios e Parcerias da Prefeitura, Flávio Rassi, afirma que a ocupação atual fere o Código de Posturas de Goiânia e representa concorrência desleal para os lojistas regularizados.

“Ou os ambulantes se encaixam nas feiras regulamentadas, como a Feira Hippie e a Feira da Madrugada, ou buscam lojas dentro da legalidade. A cidade precisa de ordem, e o prefeito Sandro Mabel não quer prejudicar ninguém, mas precisa organizar a região”, pontuou Rassi.

Apesar do discurso conciliatório, a prefeitura ainda não detalhou medidas para garantir a sustentabilidade dos camelôs realocados, nem especificou quais feiras terão espaço suficiente para absorver todos os ambulantes afetados.

O que esperar nos próximos dias?

Com o prazo final se aproximando, o cenário segue indefinido. A mobilização dos camelôs deve continuar, enquanto a prefeitura insiste que não há retrocesso na decisão. A expectativa é que novos diálogos ocorram antes da data limite, mas até o momento, o risco de confrontos entre fiscais e ambulantes permanece no horizonte.

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Marcus

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