BR-060 em Goiás terá pedágio eletrônico sem cancela; sistema “free flow” deve iniciar cobrança após aval da ANTT
Concessionária Rota Verde Goiás instala primeiros pórticos entre Goiânia e Rio Verde; modelo automatizado prevê pagamento em até 30 dias e multas por inadimplência

Goiás passará a contar com pedágio eletrônico no modelo “free flow” — sistema sem cancelas e sem praças físicas tradicionais — na BR-060 e na BR-452, sob concessão do Consórcio Rota Verde Goiás. A instalação das estruturas metálicas começou pelo trecho em Acreúna, na BR-060, e integra o contrato firmado após a concessão federal do corredor rodoviário, formalizada em 2025. A previsão é que a cobrança tenha início após autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), possivelmente a partir de abril, desde que cumpridos os requisitos técnicos e operacionais previstos em contrato.
O modelo substitui a parada obrigatória em cabines por pórticos equipados com câmeras de leitura automática de placas, antenas para identificação de tags eletrônicas e sensores de contagem de eixos. Ao cruzar o ponto de cobrança, o sistema registra a passagem do veículo e calcula a tarifa de forma automatizada, vinculando o débito ao proprietário cadastrado. Veículos com dispositivo eletrônico de pagamento terão a cobrança automática; os demais usuários deverão quitar o valor em até 30 dias por meio dos canais digitais da concessionária ou nos Serviços de Atendimento ao Usuário (SAUs) distribuídos ao longo do trecho concedido.
O projeto contempla oito pontos de cobrança ao longo das rodovias federais sob responsabilidade da concessionária. Na BR-060, estão previstos pórticos em Goiânia, Abadia de Goiás, Indiara e Acreúna — neste último município haverá dois pontos distintos —, considerando o traçado duplicado da via. Na BR-452, os equipamentos serão instalados em Santa Helena de Goiás, Bom Jesus de Goiás e Itumbiara. Como a BR-060 é duplicada em parte significativa do trecho concedido, cada ponto contará com estruturas nos dois sentidos de tráfego.
A tarifa seguirá parâmetro por quilômetro rodado, conforme estipulado no contrato de concessão. O valor-base definido é de R$ 0,12844 por quilômetro em pista simples e de R$ 0,16697 em pista duplicada, montante que será aplicado de acordo com a categoria do veículo e o número de eixos, no caso de veículos de carga. O preço final por ponto de cobrança dependerá da extensão tarifada entre os pórticos e da regulamentação específica da ANTT.
De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro (CTB), deixar de efetuar o pagamento do pedágio dentro do prazo caracteriza evasão, infração classificada como grave, sujeita a multa de R$ 195,23 e cinco pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). A concessionária informa que haverá campanhas informativas para orientar motoristas sobre os procedimentos de consulta e pagamento.
O sistema “free flow” já opera em rodovias concedidas de estados como São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Especialistas em mobilidade apontam que o modelo tende a reduzir congestionamentos e riscos de colisões traseiras em áreas de desaceleração, além de eliminar gargalos típicos de praças convencionais. Por outro lado, exige estrutura tecnológica robusta e fiscalização eficiente para evitar inadimplência e garantir transparência tarifária.

A implantação em Goiás marca uma mudança estrutural na forma de arrecadação nas rodovias federais concedidas no estado, alinhando o corredor da BR-060 — eixo estratégico para o escoamento da produção agroindustrial do Sudoeste goiano — aos padrões mais recentes de concessão rodoviária no país. A data oficial de início da cobrança dependerá da homologação final da ANTT após verificação dos parâmetros contratuais e de segurança viária.
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