Alerta em Goiás: febre amarela volta a circular em primatas após oito anos sem registros
Casos confirmados em Abadia de Goiás e Guapó reacendem vigilância epidemiológica; autoridades reforçam a vacinação e negam risco imediato de surto em humanos

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) confirmou a circulação do vírus da febre amarela em dois municípios da região metropolitana de Goiânia: Abadia de Goiás e Guapó. A confirmação ocorreu após exames laboratoriais em macacos encontrados mortos. O último registro do vírus em primatas havia ocorrido há oito anos, e o último caso humano em território goiano foi em 2017.
Apesar da constatação, especialistas descartam a ocorrência de surto. A febre amarela possui comportamento cíclico, com reaparecimentos previstos em intervalos de cinco a sete anos, o que torna a atual detecção compatível com o histórico epidemiológico da doença no Brasil.
Macacos são sentinelas, não transmissores
Autoridades de saúde reforçam que os macacos não transmitem o vírus aos seres humanos. Eles funcionam como “sentinelas epidemiológicas”, indicando a presença do vírus em circulação no ambiente. A transmissão ocorre exclusivamente pela picada de mosquitos infectados.
No ciclo silvestre, os principais vetores são os mosquitos Haemagogus e Sabethes, comuns em áreas de mata. No ciclo urbano, erradicado no Brasil desde 1942, o transmissor é o Aedes aegypti, mesmo vetor da dengue e chikungunya.
Vacinação: principal medida de proteção
A vacina contra a febre amarela é segura, eficaz e ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O esquema de imunização recomendado é:
- Crianças: 1ª dose aos 9 meses de idade e reforço aos 4 anos.
- Adultos (5 a 59 anos): dose única ao longo da vida.
- Idosos (60+): vacinação apenas com recomendação médica, avaliando riscos e benefícios.
Em Goiás, a cobertura vacinal está em aproximadamente 71,6%, abaixo da meta de 95% estipulada pelo Ministério da Saúde. A baixa adesão aumenta a vulnerabilidade da população, sobretudo em regiões próximas a áreas de mata.
Estratégias de controle e monitoramento
A SES-GO emitiu nota técnica orientando os municípios a:
- Ampliar campanhas de vacinação e identificar bolsões de não vacinados.
- Intensificar a vigilância de epizootias (mortes de primatas).
- Utilizar o aplicativo SISS-Geo, do Ministério da Saúde, para notificação rápida de macacos mortos, garantindo monitoramento em tempo real.
- Treinar equipes de saúde para diagnóstico precoce e encaminhamento de casos suspeitos.
Além disso, recomenda-se à população que frequenta áreas rurais ou de mata o uso de repelentes, roupas compridas e a manutenção da caderneta de vacinação atualizada.
Importância epidemiológica
A confirmação da circulação viral em Goiás reforça um cenário de atenção, mas não de emergência. “O registro em primatas não representa ameaça direta à população vacinada. Ele é, sobretudo, um alerta para a importância de ampliar a cobertura vacinal”, destacou a subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim.
Com base em padrões anteriores, o reaparecimento do vírus em animais sinaliza a necessidade de vigilância contínua, especialmente diante do risco de reurbanização da doença, caso o Aedes aegypti volte a desempenhar papel de vetor.
Resumo técnico
| Aspecto | Situação atual em Goiás |
|---|---|
| Municípios com registros | Abadia de Goiás e Guapó |
| Casos humanos | Nenhum em 2025; último em 2017 |
| Cobertura vacinal | 71,6% (meta: 95%) |
| Vetores | Haemagogus e Sabethes (silvestres) |
| Ciclo urbano | Erradicado desde 1942 |
| Ações imediatas | Intensificação da vacinação e vigilância de primatas |
O reaparecimento da febre amarela em macacos em Goiás não deve ser interpretado como motivo para pânico, mas como um chamado urgente para ampliar a imunização. A vacina permanece como barreira mais eficaz contra a doença, protegendo tanto indivíduos quanto comunidades inteiras.
Enquanto não há casos humanos, a prioridade é fortalecer a vigilância epidemiológica e garantir que a população esteja devidamente protegida.
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