24 de janeiro de 2026
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Alerta em Goiás: febre amarela volta a circular em primatas após oito anos sem registros

Casos confirmados em Abadia de Goiás e Guapó reacendem vigilância epidemiológica; autoridades reforçam a vacinação e negam risco imediato de surto em humanos
Vacinação contra febre amarela é recomendada para crianças a partir dos 9 meses e adultos até 59 anos — Foto: Divulgação/TV Anhanguera

A Secretaria de Estado da Saúde de Goiás (SES-GO) confirmou a circulação do vírus da febre amarela em dois municípios da região metropolitana de Goiânia: Abadia de Goiás e Guapó. A confirmação ocorreu após exames laboratoriais em macacos encontrados mortos. O último registro do vírus em primatas havia ocorrido há oito anos, e o último caso humano em território goiano foi em 2017.

Apesar da constatação, especialistas descartam a ocorrência de surto. A febre amarela possui comportamento cíclico, com reaparecimentos previstos em intervalos de cinco a sete anos, o que torna a atual detecção compatível com o histórico epidemiológico da doença no Brasil.


Macacos são sentinelas, não transmissores

Autoridades de saúde reforçam que os macacos não transmitem o vírus aos seres humanos. Eles funcionam como “sentinelas epidemiológicas”, indicando a presença do vírus em circulação no ambiente. A transmissão ocorre exclusivamente pela picada de mosquitos infectados.

No ciclo silvestre, os principais vetores são os mosquitos Haemagogus e Sabethes, comuns em áreas de mata. No ciclo urbano, erradicado no Brasil desde 1942, o transmissor é o Aedes aegypti, mesmo vetor da dengue e chikungunya.


Vacinação: principal medida de proteção

A vacina contra a febre amarela é segura, eficaz e ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O esquema de imunização recomendado é:

  • Crianças: 1ª dose aos 9 meses de idade e reforço aos 4 anos.
  • Adultos (5 a 59 anos): dose única ao longo da vida.
  • Idosos (60+): vacinação apenas com recomendação médica, avaliando riscos e benefícios.

Em Goiás, a cobertura vacinal está em aproximadamente 71,6%, abaixo da meta de 95% estipulada pelo Ministério da Saúde. A baixa adesão aumenta a vulnerabilidade da população, sobretudo em regiões próximas a áreas de mata.


Estratégias de controle e monitoramento

A SES-GO emitiu nota técnica orientando os municípios a:

  • Ampliar campanhas de vacinação e identificar bolsões de não vacinados.
  • Intensificar a vigilância de epizootias (mortes de primatas).
  • Utilizar o aplicativo SISS-Geo, do Ministério da Saúde, para notificação rápida de macacos mortos, garantindo monitoramento em tempo real.
  • Treinar equipes de saúde para diagnóstico precoce e encaminhamento de casos suspeitos.

Além disso, recomenda-se à população que frequenta áreas rurais ou de mata o uso de repelentes, roupas compridas e a manutenção da caderneta de vacinação atualizada.


Importância epidemiológica

A confirmação da circulação viral em Goiás reforça um cenário de atenção, mas não de emergência. “O registro em primatas não representa ameaça direta à população vacinada. Ele é, sobretudo, um alerta para a importância de ampliar a cobertura vacinal”, destacou a subsecretária de Vigilância em Saúde, Flúvia Amorim.

Com base em padrões anteriores, o reaparecimento do vírus em animais sinaliza a necessidade de vigilância contínua, especialmente diante do risco de reurbanização da doença, caso o Aedes aegypti volte a desempenhar papel de vetor.


Resumo técnico

AspectoSituação atual em Goiás
Municípios com registrosAbadia de Goiás e Guapó
Casos humanosNenhum em 2025; último em 2017
Cobertura vacinal71,6% (meta: 95%)
VetoresHaemagogus e Sabethes (silvestres)
Ciclo urbanoErradicado desde 1942
Ações imediatasIntensificação da vacinação e vigilância de primatas
Vacinação contra febre amarela é recomendada para crianças a partir dos 9 meses e adultos até 59 anos

O reaparecimento da febre amarela em macacos em Goiás não deve ser interpretado como motivo para pânico, mas como um chamado urgente para ampliar a imunização. A vacina permanece como barreira mais eficaz contra a doença, protegendo tanto indivíduos quanto comunidades inteiras.

Enquanto não há casos humanos, a prioridade é fortalecer a vigilância epidemiológica e garantir que a população esteja devidamente protegida.

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Marcus

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