2 de abril de 2026
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Alego aprova pacote de reajustes e benefícios, mas frustra expectativa de aumento maior para servidores

Reposição de 4,26% segue índice inflacionário e unifica entendimento entre poderes; medidas incluem progressões, gratificações ampliadas e bônus milionário na Educação, enquanto articulação política mantém pressão por recomposição superior
Sessão desta quarta-feira (1) na Alego: projetos aprovados seguem para sanção ou veto do Executivo (Denise Xavier/Alego)

A Assembleia Legislativa do Estado de Goiás aprovou, em tramitação célere e concentrada, um conjunto de dez proposições que tratam da revisão geral anual e da reestruturação de benefícios para servidores públicos vinculados aos diferentes poderes e órgãos autônomos do Estado. O pacote consolida a aplicação de 4,26% como índice de reposição inflacionária, alinhado à diretriz fiscal adotada pelo Executivo e replicado por instituições como o Tribunal de Justiça do Estado de Goiás, o Ministério Público do Estado de Goiás, o Tribunal de Contas do Estado de Goiás, o Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás e a Defensoria Pública do Estado de Goiás.

A definição do percentual, embora tecnicamente justificada pela recomposição do poder de compra com base em indicadores inflacionários, ficou aquém da expectativa criada no próprio Legislativo, onde havia sinalização política para um reajuste mais robusto. O recuo reflete um movimento de harmonização interinstitucional, evitando assimetrias remuneratórias entre os poderes e mitigando riscos de desequilíbrio fiscal, sobretudo no contexto pós-adesão de Goiás ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag), que impõe maior disciplina orçamentária.

Paralelamente ao reajuste linear, o Legislativo estadual aprovou medidas estruturantes voltadas ao fortalecimento da carreira dos servidores efetivos. Entre os principais dispositivos, destaca-se a progressão vertical condicionada à qualificação profissional, com incremento de 10% nos vencimentos a cada ciclo bienal, mediante comprovação de carga mínima de 120 horas em cursos de capacitação. O mecanismo permite acúmulo de até cinco progressões, configurando potencial de valorização salarial de até 50% ao longo de uma década, o que representa um instrumento relevante de incentivo à formação continuada e à profissionalização do quadro funcional.

No campo das gratificações, houve ampliação dos percentuais vinculados à titulação acadêmica, com elevação dos adicionais para servidores com mestrado e doutorado. A política de valorização educacional interna se soma à criação de um auxílio-saúde mensal de R$ 300, reforçando a estratégia de recomposição indireta da remuneração por meio de benefícios.

Apesar do avanço em termos de engenharia remuneratória, chama atenção a ausência de estimativas detalhadas de impacto financeiro nos projetos aprovados, o que pode suscitar questionamentos técnicos quanto à sustentabilidade fiscal das medidas no médio prazo, especialmente diante das novas regras de controle de gastos estaduais.

No âmbito do Executivo, o pacote inclui a manutenção do Bônus por Resultado para servidores da Secretaria de Estado da Educação de Goiás, com previsão de desembolso de até R$ 215 milhões. O modelo, atrelado ao desempenho institucional, prevê pagamento equivalente a até 100% do vencimento individual. Complementarmente, foi aprovado o bônus vinculado ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), com teto estimado em R$ 53 milhões. Ambos os incentivos serão financiados por superávit do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb), projetado em R$ 268,2 milhões.

No plano político, o debate sobre ampliação do reajuste permanece aberto. Lideranças parlamentares admitem a continuidade de tratativas com o governador Daniel Vilela, visando eventual recomposição adicional para servidores efetivos do Legislativo. Contudo, qualquer avanço nesse sentido dependerá de compatibilização com os limites fiscais e da definição de novos parâmetros de despesa, que devem ser formalizados em projeto de lei a ser encaminhado antes da elaboração da próxima Lei de Diretrizes Orçamentárias.

O pacote aprovado, portanto, traduz um equilíbrio entre responsabilidade fiscal e pressão corporativa, com ganhos pontuais na estrutura de carreira, mas sem atender integralmente às demandas salariais mais amplas dos servidores estaduais.

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Marcus

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