Goiânia conclui metronização do BRT Norte-Sul e chega a 31 km de corredores inteligentes

Sistema passa a cobrir os 17 km entre os terminais Recanto do Bosque e Isidória; somado ao BRT Leste-Oeste, tecnologia agora está presente em 31 km de corredores
Entrega marca a conclusão da metronização dos dois corredores de BRT de Goiânia e projeta o pioneirismo da capital na adoção da tecnologia

A Prefeitura de Goiânia conclui nesta sexta-feira (11) a implantação da metronização em todo o corredor do BRT Norte-Sul. Com a nova etapa, os 17 quilômetros entre os terminais Recanto do Bosque e Isidória passam a contar integralmente com tecnologia de prioridade semafórica para os ônibus. Somado aos 14 quilômetros já metronizados do BRT Leste-Oeste, Goiânia chega a 31 quilômetros de corredores equipados com o sistema.

A entrega representa uma nova etapa na operação do transporte coletivo da capital. A metronização utiliza sensores, localização dos veículos, comunicação em tempo real e controle semafórico para diminuir as interrupções dos ônibus nos cruzamentos. Em vez de os coletivos seguirem apenas o ciclo convencional dos semáforos, o sistema permite ajustar a sinalização de acordo com a aproximação e a circulação dos veículos.

Na prática, a proposta é reduzir o tempo perdido nos cruzamentos e tornar as viagens mais regulares. A tecnologia está integrada à estrutura de controle do trânsito e do transporte coletivo, que recebe informações sobre a movimentação dos ônibus e utiliza esses dados para ajustar a operação semafórica.

Como funciona o sistema

Apesar do nome, a metronização não transforma o BRT em metrô e não envolve circulação sobre trilhos. O conceito está relacionado à busca por uma operação com menor quantidade de interrupções e maior regularidade, utilizando recursos de automação e controle de tráfego.

Os ônibus e os equipamentos instalados ao longo do corredor enviam informações para o sistema de controle. Com base nesses dados, os semáforos podem receber ajustes para favorecer a passagem dos coletivos.

A estrutura também utiliza recursos como GPS em tempo real, câmeras de monitoramento, inteligência artificial e modelos de análise do tráfego. Segundo informações divulgadas sobre a tecnologia utilizada em Goiânia, a operação é acompanhada pela Central Integrada de Trânsito e Transporte (CITT), vinculada à Rede Metropolitana de Transporte Coletivo (RMTC).

Outro componente instalado nos cruzamentos são os nobreaks, equipamentos que permitem manter a operação dos sistemas mesmo diante de interrupções no fornecimento de energia.

Norte-Sul passa a operar com tecnologia em todo o corredor

Até a conclusão desta etapa, a metronização do BRT Norte-Sul estava implantada em parte do corredor, especialmente no trecho entre o Terminal Isidória e a Praça Cívica.

A nova fase amplia a tecnologia até o Terminal Recanto do Bosque, completando os 17 quilômetros do eixo. A extensão corresponde ao corredor que liga as regiões Norte e Sul de Goiânia por meio do sistema BRT.

A conclusão ocorre poucas semanas depois de a Prefeitura finalizar a metronização integral do BRT Leste-Oeste. Em agosto, foram entregues os últimos cinco quilômetros daquele corredor, entre os terminais Praça A e Padre Pelágio. Com isso, os 14 quilômetros entre o Terminal Novo Mundo e o Terminal Padre Pelágio passaram a contar com a tecnologia.

O resultado é uma rede de 31 quilômetros de corredores estruturais com prioridade semafórica, considerando os dois eixos.

Leste-Oeste já apresenta redução no tempo de viagem

Os resultados apresentados pela administração municipal no BRT Leste-Oeste ajudam a dimensionar o potencial da tecnologia, embora não possam ser automaticamente aplicados ao Norte-Sul.

No corredor de 14 quilômetros, a Prefeitura informou redução de aproximadamente 15 a 20 minutos no tempo necessário para completar o percurso. Antes da implantação, os ônibus chegavam a enfrentar mais de 30 paradas em semáforos ao longo do trajeto; após a metronização, a média divulgada caiu para cerca de sete. A velocidade média também passou de aproximadamente 16 km/h para mais de 21 km/h.

Esses números são referentes ao BRT Leste-Oeste e servem como parâmetro da experiência já realizada. Ainda não é possível afirmar, sem uma medição específica após a conclusão, que o BRT Norte-Sul terá exatamente a mesma redução de tempo.

Essa distinção é importante porque o desempenho de um corredor depende de fatores próprios, como volume de passageiros, quantidade de cruzamentos, interferências no trânsito, funcionamento das estações e condições de circulação.

BRT Norte-Sul tem 17 km de extensão

O corredor Norte-Sul foi construído pela Prefeitura de Goiânia em parceria com o governo federal. As obras tiveram início em 2015 e o sistema inaugurado em 2024 passou a atender o trecho de 17 quilômetros entre os terminais Recanto do Bosque e Isidória.

A implantação do corredor foi concebida para aumentar a capacidade do transporte coletivo e organizar a circulação dos ônibus em um dos principais eixos de deslocamento da capital.

A metronização surge posteriormente como uma camada tecnológica sobre essa infraestrutura. O objetivo é melhorar a operação dos veículos que já circulam pelo corredor, reduzindo uma das principais fontes de perda de tempo nas viagens urbanas: a espera nos cruzamentos semaforizados.

Dessa forma, a conclusão da metronização não representa a criação de um novo corredor de BRT, mas a modernização da forma como os ônibus são conduzidos ao longo da estrutura existente.

Projeto amplia estratégia de modernização da mobilidade

A implantação da tecnologia faz parte do programa Nova Mobilidade, que reúne diferentes intervenções destinadas à reorganização do transporte e do trânsito em Goiânia.

A estratégia inclui modernização semafórica, intervenções viárias, melhorias em terminais e estações e utilização de ferramentas digitais para acompanhamento da circulação. No caso específico da metronização, o objetivo é aproximar a operação do transporte coletivo de um modelo mais previsível, com menos interrupções durante o deslocamento.

A expansão também ocorre em um momento em que a Prefeitura vem investindo na modernização dos corredores estruturais. Em abril, por exemplo, a metronização do BRT Leste-Oeste avançou até a região da Praça A, chegando a nove quilômetros naquele eixo antes da conclusão integral em agosto.

Tecnologia não resolve sozinha os problemas do transporte

A redução do tempo de viagem é apenas um dos componentes da qualidade do transporte coletivo. A experiência do passageiro também depende da frequência dos ônibus, lotação, condições dos veículos, funcionamento das estações, integração entre linhas e capacidade de atendimento nos horários de maior demanda.

Por isso, a metronização deve ser entendida como uma ferramenta específica para melhorar a circulação dos ônibus, principalmente nos cruzamentos.

A vantagem operacional está na possibilidade de reduzir paradas desnecessárias e tornar o tempo de percurso mais previsível. Para quem utiliza o BRT diariamente, a regularidade pode ser tão importante quanto a velocidade, especialmente para deslocamentos relacionados ao trabalho, estudo e acesso a serviços.

Goiânia passa a ter dois grandes corredores metronizados

Com a conclusão do BRT Norte-Sul, os dois principais corredores de BRT da capital passam a contar integralmente com a tecnologia nos trechos atualmente contemplados pelo projeto.

O Leste-Oeste soma 14 quilômetros, entre os terminais Novo Mundo e Padre Pelágio. O Norte-Sul acrescenta outros 17 quilômetros, entre os terminais Recanto do Bosque e Isidória. Juntos, são 31 quilômetros de corredores equipados com o sistema.

A conclusão estabelece uma nova etapa para o transporte coletivo de Goiânia, mas o impacto definitivo sobre os passageiros deverá ser acompanhado pela operação cotidiana. Indicadores como tempo médio de viagem, número de paradas, velocidade operacional e regularidade das linhas serão importantes para medir, na prática, o resultado da tecnologia no BRT Norte-Sul.

A partir de agora, o desafio deixa de ser apenas instalar a infraestrutura e passa a ser garantir que o sistema permaneça funcionando de forma integrada ao trânsito e ao transporte coletivo, transformando a tecnologia em ganho efetivo de tempo e previsibilidade para quem depende diariamente dos ônibus.

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Marcus

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