Goiânia testa câmeras que identificam veículos no descarte irregular de lixo
Equipamento instalado na Região Noroeste monitora áreas 24 horas por dia, reconhece placas e pode acionar a Guarda Civil; multa por descarte irregular começa em R$ 5 mil
A Prefeitura de Goiânia está testando um sistema de câmeras inteligentes para combater o descarte irregular de lixo e entulho em áreas públicas. O equipamento, instalado experimentalmente em um ponto da Região Noroeste, funciona 24 horas por dia e reúne recursos capazes de identificar placas de veículos e reconhecer rostos de pessoas envolvidas em ocorrências.
A iniciativa está sob avaliação da Secretaria Municipal de Eficiência (Sefic) e conta com monitoramento em tempo real pela Guarda Civil Metropolitana (GCM). Segundo informações da administração municipal, o sistema está em funcionamento há cerca de 30 dias e já registrou flagrantes de descarte irregular.
A tecnologia ainda não foi espalhada pela cidade. A Prefeitura pretende avaliar os resultados do teste antes de decidir se o modelo será ampliado para outros pontos de Goiânia que enfrentam problemas recorrentes com lixo e entulho abandonados em locais proibidos.
Câmera funciona sem cabeamento
Uma das características do equipamento é a autonomia para operar em locais onde a instalação de infraestrutura convencional poderia ser mais complexa. A câmera utiliza energia solar e conexão por Wi-Fi, dispensando a necessidade de cabos de energia e internet no ponto monitorado.
O equipamento permanece ativo durante todo o dia e envia as informações para a estrutura de acompanhamento da Guarda Civil Metropolitana. A proposta é permitir que a irregularidade seja identificada no momento em que ocorre ou até mesmo antes que o descarte seja efetivamente realizado.
Além do sistema de registro de imagens, a câmera possui microfone e sirene. Quando uma pessoa se aproxima da área monitorada, o equipamento pode emitir um alerta e estabelecer comunicação com a central da GCM.
Sistema também tenta impedir o descarte
A estratégia adotada pela Prefeitura não se limita à produção de imagens para uma eventual autuação. De acordo com as informações divulgadas pela administração, os agentes podem utilizar o sistema de áudio para conversar remotamente com a pessoa que se aproxima do ponto de descarte.
A orientação é para que o material não seja abandonado no local e seja encaminhado para um ecoponto.
Essa característica transforma o equipamento também em uma ferramenta de prevenção. Em vez de atuar somente depois que o lixo já foi deixado em via pública, o monitoramento pode permitir uma intervenção antes da conclusão da irregularidade.
Caso o descarte seja realizado e o responsável seja identificado, as imagens e os dados registrados podem subsidiar a fiscalização municipal.
Veículo pode ser identificado
Um dos principais recursos empregados no teste é a identificação das placas dos veículos. Quando o automóvel utilizado na ação é reconhecido, a autuação pode ser direcionada ao proprietário, conforme as informações apresentadas pelo secretário municipal de Eficiência, Fernando Peternella.
A multa mínima informada para quem for identificado realizando descarte irregular é de R$ 5 mil.
A utilização de câmeras busca, portanto, aumentar a capacidade de fiscalização em locais onde o descarte clandestino é recorrente. O sistema pode registrar a movimentação e fornecer elementos para que os órgãos municipais adotem as providências administrativas cabíveis.
Goiânia registra milhares de notificações
O teste ocorre em uma cidade que enfrenta um volume significativo de ocorrências relacionadas ao descarte irregular de resíduos. Segundo a Prefeitura, são aplicadas aproximadamente 3 mil notificações por mês por descarte inadequado de lixo e entulho.
O problema envolve materiais abandonados em áreas públicas, situação que pode comprometer a limpeza urbana e exigir novas ações de fiscalização e remoção.
A instalação de equipamentos de monitoramento surge, nesse cenário, como uma tentativa de aumentar a capacidade de identificação dos responsáveis, especialmente em pontos onde a fiscalização presencial não consegue acompanhar continuamente a movimentação.
A tecnologia, entretanto, ainda está em fase experimental. O desempenho observado nesse primeiro ponto será utilizado para avaliar a possibilidade de levar o sistema a outras áreas da capital.
Expansão depende da avaliação
Os resultados do período de testes serão apresentados ao secretário Fernando Peternella na sexta-feira (4). A partir dessa avaliação, a Prefeitura poderá decidir se o monitoramento será ampliado.
A eventual expansão dependerá, portanto, dos resultados obtidos com o equipamento atualmente instalado na Região Noroeste.
A proposta representa uma mudança na forma de fiscalização do descarte irregular em Goiânia: além das equipes que atuam diretamente nas ruas, a administração municipal passa a testar uma estrutura capaz de monitorar determinados pontos continuamente, identificar veículos e estabelecer comunicação remota com quem tentar utilizar o local para abandonar resíduos.
Por enquanto, porém, trata-se de uma experiência localizada. A Prefeitura ainda deverá avaliar os resultados antes de definir se as câmeras inteligentes farão parte de uma estratégia mais ampla de combate ao descarte irregular de lixo e entulho na capital.
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